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O MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) assinaram hoje (16), no Rio de Janeiro, o Acordo de Livre Comércio que marca um passo importante na ampliação da rede de acordos comerciais do Brasil. Em um cenário externo desafiador, o país reafirma, junto aos sócios do bloco, o compromisso de promover um comércio do bloco e, ampliando mercados para empresas brasileiras.
A EFTA é uma organização intergovernamental criada em 1960 para fortalecer o livre comércio e a integração econômica entre seus membros. Atualmente, é composta por quatro países: Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. Embora não façam parte da União Europeia, esses países mantêm forte integração econômica com o bloco europeu por meio do Espaço Econômico Europeu ou de acordos bilaterais. A EFTA também atua como plataforma de negociação de acordos comerciais com parceiros em diferentes regiões, ampliando o acesso de seus membros a mercados internacionais.
Com as tarifas e os embates do governo do presidente Lula com os EUA, uma das saídas é fortalecer a presença internacional do Brasil, diversificar mercados e gerar mais oportunidades para trabalhadores e empresas nacionais. No caso do MERCOSUL, desde 2023 já foi assinado o Acordo de Livre Comércio com Singapura e concluiu as negociações do Acordo de Parceria com a União Europeia, cuja assinatura está prevista ainda para este ano.
Em conjunto, esses três acordos firmados desde 2023 representam um aumento de 152% da corrente de comércio brasileira coberta por preferências comerciais — a maior expansão já registrada pela política de acordos do país.
Além disso, o Brasil tenta concluir, em breve, as negociações com os Emirados Árabes Unidos, retomar tratativas com o Canadá e ampliar os acordos já existentes com México e Índia, entre outras frentes.
A assinatura do Acordo MERCOSUL–EFTA reforça que a agenda de comércio exterior brasileira está alinhada ao multilateralismo e a cooperação internacional. Ao mesmo tempo, abre espaço para novas oportunidades no setor de alimentos. A Islândia, país pequeno e altamente dependente de importações em “food and beverages”, mantém produção relevante de lácteos e carnes, mas precisa trazer de fora frutas, hortaliças, bebidas e grãos, cenário em que o Brasil pode ampliar o fornecimento de café, suco de laranja, frutas tropicais e oleaginosas.
A Noruega, por sua vez, preserva forte proteção a carnes e lácteos, mas admite a entrada de frutas, vegetais fora da safra, arroz e açúcar com tarifas reduzidas ou zeradas. Como a produção local de grãos é instável, surgem oportunidades para exportações brasileiras de café, frutas tropicais, sucos, milho e farelo de soja destinados à alimentação animal.
Na Suíça, o mercado agrícola é rigidamente protegido, mas marcado por alto poder aquisitivo. Café figura entre os principais produtos importados, muitas vezes reexportado em versões de maior valor agregado. O Brasil tem espaço para crescer com cafés especiais e solúveis, suco de laranja, frutas tropicais, nozes, açúcar e carnes processadas, dentro das cotas disponíveis. Já Liechtenstein, que mantém união aduaneira com a Suíça e aplica as mesmas regras alfandegárias, compartilha os mesmos nichos de oportunidade, acessíveis por meio de distribuidores suíços.
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