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Com a proliferação do Pix no Brasil, onde já conta com 177,2 milhões de usuários, é difícil imaginar quem opte por utilizar qualquer outra ferramenta de pagamento à vista. No entanto, uma pesquisa feita pela Qive, plataforma de contas a pagar, mostrou que no âmbito B2B essa hegemonia não se aplica. Segundo o estudo, quem é o protagonista do segmento é o boleto bancário.
Das 315 milhões de notas fiscais analisadas — valor equivalente a cerca de R$ 3,73 trilhões —, 224,3 milhões desses documentos (R$ 2,47 trilhões) foram pagos via boleto. Na maioria dos setores, ele representa entre 50% e 80% das transações financeiras, segundo dados do estudo antecipado com exclusividade para a Forbes.
Segundo Christian de Cico, co-CEO e cofundador da plataforma de contas, “o boleto bancário cumpre funções críticas de conformidade e integração”. Mas não é só isso.
A modalidade de pagamento vem sendo utilizada como crédito, servindo como lastro para antecipar recebíveis. Além de permitir prazos fixos, algo que o Pix, por exemplo, ainda não viabiliza. No entanto, nem tudo são rosas. O sistema frequentemente é alvo de fraudes. Segundo a pesquisa, um em cada três empresas afirma ter sofrido mais perdas por pagamentos indevidos em 2025 do que no ano passado.
Só que de 2023 para 2025, o uso de boletos caiu de 73,2% para 69,3%, perdendo para transferências bancárias e depósitos, modalidades que cresceram em segmentos que circulam valores mais altos, como o de serviços, de energia e o público.
De Cico explica que, por vezes, essa mudança acontece para garantir maior segurança contra fraude. “Neste tipo de movimentação, é possível ter a certeza de que a conta bancária é do CNPJ do fornecedor homologado”, diz o cofundador da Qive.
Mesmo que não tenha tanto protagonismo no B2B, o Pix no último ano passou a representar 1,6% do volume de notas fiscais, ante 0,8% em 2023. De acordo com a pesquisa, ele é mais utilizado nos setores de varejo e serviços, e em pagamentos de baixo valor. Um dos principais pontos que explica o fato de ele ficar atrás do boleto é que, mesmo sendo uma ferramenta tecnológica, ele não permite agendamentos de longo prazo.
Na “unha”
Um outro ponto curioso do levantamento é o fato de que 31% das empresas realizam cobranças e conciliação de pagamentos de forma manual.
A explicação vai além da questão de custo, segundo Isis Abbud, co-CEO e cofundadora da Qive. “Muitos sequer sabem que há soluções para isso, outros preferem se manter assim por apego, é uma questão cultural. As pessoas questionam: ‘sempre deu certo, por que vou mudar?’”, explica.
Sobre a Qive
Fundada em 2014, em São Carlos (SP), a Qive (então denominada Arquivei) foi pensada inicialmente para atender à empresa da família de De Cico, através de uma planilha no Excel.
Só que não levou muito tempo que o sistema fosse considerado promissor, já que através das notas fiscais foi possível identificar um problema de produtividade da empresa, o que levou o co-CEO a começar a oferecê-lo a pequenas empresas. Acontece que o “sisteminha de nota” — assim definido por De Cico — chamou a atenção do McDonald’s e começou a ficar conhecido entre empresas de diversos portes.
Hoje, além da franquia de fast food, a Qive atende Casas Bahia, Burger King, Riachuelo, C&A, iFood e muitas outras, somando 210 mil clientes no total. A plataforma oferece aos seus clientes uma forma de integrar e automatizar a gestão de pagamentos com base em notas fiscais e no fluxo bancário do cliente.
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