A Bilionária “Self-made” Mais Rica da China Que Surfa o Boom da Biotecnologia

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A diversidade de medicamentos inovadores da China despertou o interesse de investidores no setor de biotecnologia do país. Em meio ao otimismo, a presidente-executiva de 64 anos do Hansoh Pharmaceutical Group, Zhong Huijuan, subiu seis posições na lista de bilionários do país, alcançando o 16.º lugar.

Sua fortuna líquida teve um aumento de quase dois terços, chegando a US$ 19,7 bilhões (R$ 105,50 bilhões), impulsionada pela valorização de 70% das ações da empresa listada em Hong Kong desde a última medição. Zhong, a mulher chinesa “self-made” mais rica, ex-professora de química, se beneficiou do sentimento positivo em torno dos novos candidatos a fármacos da empresa e dos acordos de licenciamento potencialmente lucrativos que ela firmou com gigantes farmacêuticas globais para desenvolver esses medicamentos.

Em outubro, a Hansoh fechou um acordo de licenciamento de US$ 1,5 bilhões (R$ 8,03 bilhões) com a suíça Roche para cocriar um medicamento para tratar câncer de cólon, garantia à Hansoh um pagamento inicial de US$ 80 milhões (R$ 428 milhões), provavelmente no início de 2026, segundo Cyrus Ng, analista de ações de saúde da Ásia do Deutsche Bank em Hong Kong.

O acordo prevê ainda pagamentos por metas de US$ 1,45 bilhões (R$ 7,76 bilhões) e royalties sobre vendas futuras.

Esse é um dos seis acordos de licenciamento que a Hansoh assinou desde 2020, sendo cinco com grandes empresas farmacêuticas — como GlaxoSmithKline (GSK), Merck & Co. e Regeneron Pharmaceuticals — para cocriar medicamentos voltados a obesidade e câncer. A companhia pode garantir mais desses contratos, especialmente nas áreas terapêuticas de oncologia, imunologia e distúrbios metabólicos, diz Tony Ren, chefe de pesquisa de saúde da Ásia na Macquarie Capital, com base em Hong Kong.

O que está acontecendo?

Conhecida por produzir medicamentos “copiões”, a China está se transformando em potência de biotecnologia com o apoio crescente do governo ao setor. Em um avanço no ano passado, um tratamento contra câncer desenvolvido pela empresa listada em Hong Kong Akeso superou em ensaios clínicos o blockbuster Keytruda, da Merck.

“A ascensão do setor na China foi rápida, impulsionada por seu talento, acesso a pacientes e infraestrutura de baixo custo”, observa o relatório de pesquisa da Morgan Stanley de setembro. A empresa estima que, até 2030, os medicamentos chineses chegarão a US$ 34 bilhões (R$ 181,90 bilhões) em vendas anuais globais, cifra que poderia crescer mais de seis vezes até US$ 220 bilhões (R$ 1,18 trilhão) em 2040.

Com um grande número de patentes prestes a expirar, as farmacêuticas globais recorrem cada vez mais a empresas chinesas para cocriar novos candidatos a medicamentos.

Em contrapartida, essas alianças podem ajudar os fabricantes chineses a conquistar o mercado global, algo desafiador pelo custo proibitivo de ensaios clínicos que podem custar bilhões de dólares, e pelo processo demorado de aprovação regulatória, afirma Ren.

Saindo na frente

A Hansoh também se apoia em fundamentos sólidos. No primeiro semestre de 2025, suas vendas aumentaram 14% em relação ao ano anterior, para 7,4 bilhões de yuans (US$ 1 bilhão ou R$ 5,35 bilhões), enquanto o lucro líquido cresceu 15%, para 3,1 bilhões de yuans.

Seu principal medicamento contra câncer, Ameile, está ganhando participação no mercado chinês em detrimento do Tagrisso, da AstraZeneca, segundo Ng. No entanto, embora a Hansoh tenha firmado acordos de licenciamento promissores, enfrenta dificuldades consideráveis.

Globalmente, entre 8% e 10% dos medicamentos em ensaios clínicos de Fase I chegam ao mercado, segundo Ren. Além disso, a administração Trump poderia estar considerando restringir medicamentos baratos originados da China, o que pode prejudicar as farmacêuticas americanas, informou o The New York Times em setembro.

Cyrus Ng, do Deutsche Bank, observa, porém, que as empresas farmacêuticas chinesas ainda podem expandir na Ásia e na Europa, onde companhias procuram acordos de licenciamento.

Como bilionária “self-made”, Zhong não é estranha a obstáculos. Formada em 1982 em química pela Jiangsu Normal University, no leste da China, começou a trabalhar como professora de química em uma escola de ensino médio, segundo a federação de mulheres ligada ao governo chinês All‑China Women’s Federation.

Passou em seguida a atuar no bureau de administração de medicamentos em Lianyungang, província de Jiangsu, antes de fundar a Hansoh em 1995. Com o apoio do investidor Cen Junda, que ocupa o 52.º lugar da lista chinesa,  com fortuna de US$ 8,55 bilhões (R$ 45,77 bilhões) Zhong fez a empresa crescer, levando-a ao mercado público em 2019 e captando HK$ 7,9 bilhões (US$ 1 bilhão ou R$ 5,35 bilhões).

O marido de Zhong, Sun Piaoyang, presidente da Jiangsu Hengrui Pharmaceuticals — que também contou com o apoio de Cen — é listado separadamente na 26.ª posição da lista, com fortuna de US$ 13,6 bilhões (R$ 72,76 bilhões). As duas empresas são administradas de forma independente, com conselhos separados, enquanto a filha deles, Sun Yuan, é diretora da Hansoh e supervisiona pesquisa e desenvolvimento.

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