Como o Ataque À Venezuela Pode Ter Deixado Trump Mais Rico

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A incursão militar dos Estados Unidos na Venezuela não apenas fortaleceu Donald Trump entre anticomunistas do sul da Flórida, elevou a tensão com outros países latino-americanos e reforçou sua disposição de ameaçar a Groenlândia e a Colômbia. Ao que tudo indica, a operação também aumentou sua fortuna pessoal.

E não, não foi o petróleo — tema pelo qual Trump é notoriamente obcecado — que gerou esse salto. Os mercados de óleo praticamente ignoraram a ação noturna em Caracas que resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Para Trump, parte do novo enriquecimento veio de outra classe de ativos que tem apresentado bom desempenho desde o fim de semana: as criptomoedas, especialmente aquelas ligadas diretamente ao presidente. E ele possui muitas delas. Desde a operação na Venezuela, a Forbes estima que o valor total de seus ativos relacionados a cripto tenha aumentado em cerca de US$ 140 milhões (R$ 798 milhões).

O maior impulso parece ter vindo de sua participação na Trump Media and Technology Group, cujas ações dispararam na abertura do pregão de segunda-feira e permaneceram em patamar elevado. As quase 115 milhões de ações do presidente passaram a valer aproximadamente US$ 63 milhões a mais (R$ 359,1 milhões) no fechamento do mercado na terça-feira em relação ao valor anterior ao ataque em Caracas — uma alta de cerca de 4%. O motivo? A TMTG é um conglomerado de diversos negócios: controla a rede social Truth Social, anunciou recentemente uma fusão com uma empresa de energia de fusão e também adotou uma estratégia de tesouraria em bitcoin, além de outros empreendimentos em criptoativos.

O bitcoin, assim como os mercados financeiros, subiu nos últimos dias com a notícia da queda de Maduro, possivelmente impulsionando a TMTG junto com ele. Outra explicação plausível: quando Trump obtém vitórias expressivas na política externa, como a prisão de Maduro, investidores tendem a correr para comprar ações de sua empresa. No dia seguinte à ordem de Trump para bombardear instalações nucleares do Irã, em junho, os papéis da TMTG também abriram com alta de cerca de 4% (embora os ganhos não tenham se sustentado por muito tempo).

As valorizações nos demais criptoativos de Trump parecem ainda mais diretamente ligadas aos acontecimentos na Venezuela. No mínimo, o momento coincide de forma precisa. Os tokens da World Liberty Financial avançaram cerca de 20% durante a noite de 3 de janeiro — saltando de aproximadamente US$ 0,15 (R$ 0,86) para US$ 0,18 (R$ 1,03) — à medida que surgiam informações sobre forças especiais americanas prendendo Maduro e o levando para Nova York, onde enfrentaria julgamento por acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O preço se manteve elevado desde então. A DT Marks Defi LLC, empresa da família Trump, detém uma estimativa de 22,5 bilhões de tokens, e Trump possui 70% desse total, segundo a mais recente declaração do presidente. Partindo do pressuposto de que essa participação permaneça inalterada (há alguma incerteza) e mesmo após aplicar o forte desconto adotado pela Forbes — já que os tokens ainda não podem ser vendidos —, os ativos do presidente nessa categoria aumentaram cerca de US$ 34 milhões (R$ 193,8 milhões) em valor.

A forma mais pura de especulação financeira atrelada a Trump é sua memecoin, apropriadamente chamada $TRUMP, lançada pouco antes de sua posse, quase um ano atrás. Ela também disparou com as notícias da operação e acumula alta de aproximadamente 9% desde o início das explosões em Caracas. Aqui também a Forbes aplica descontos relacionados à liquidez e a outros fatores — caso Trump vendesse sequer uma fração de suas memecoins, o preço quase certamente despencaria —, mas o valor de seus cerca de 256 milhões de tokens desbloqueados e 544 milhões de tokens bloqueados ainda assim aumentou em torno de US$ 45 milhões (R$ 256,5 milhões), mesmo após essas ponderações.

No total, isso representa cerca de US$ 140 milhões (R$ 798 milhões) em ganhos estimados apenas no papel para o presidente. Antes conhecido principalmente como bilionário do setor imobiliário, Donald Trump encontrou, desde que ingressou na política, diversas maneiras ainda mais lucrativas de explorar sua marca pessoal. A Forbes estimou pela última vez o patrimônio de Trump em US$ 7,3 bilhões (R$ 41,61 bilhões), em setembro, quando elaborou a lista dos 400 americanos mais ricos — um aumento de US$ 3 bilhões (R$ 17,1 bilhões) na época, impulsionado pela presidência. Dois terços desse crescimento vieram de seus negócios em criptomoedas, que vendem entusiasmo digital a apoiadores e especuladores — e há poucas formas mais eficazes de atrair atenção do que iniciar uma guerra.

NOTA DA REDAÇÃO: Em novembro de 2023, a Trump Media processou 20 veículos de comunicação, incluindo a Forbes, por reportagens que continham cálculos sobre seus resultados financeiros enquanto a empresa ainda era privada, os quais a Trump Media alega serem imprecisos. O caso segue em andamento.

 

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