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A retomada de uma agenda comercial mais agressiva dos Estados Unidos sob a liderança de Donald Trump reacendeu o protecionismo global e acelerou rearranjos estratégicos no comércio internacional.
Trump anunciou no último sábado (17) que a partir de 1º de fevereiro vai taxar em 10% todos os bens importados de oito países europeus (Alemanha, Reino Unido, França, Noruega, Suécia, Finlândia, Dinamarca e Países Baixos). Em resposta, no dia seguinte a UE avaliou impor tarifas comerciais de 93 bilhões de euros (cerca de R$ 580 bilhões) aos Estados Unidos.
E foi nesse clima de guerra comercial que a União Europeia reavaliou a dependência dos EUA e oficializou o acordo com o Mercosul no sábado.
A assinatura do acordo de livre comércio entre os blocos surge como uma oportunidade para o Brasil ampliar mercados ao ganhar poder de barganha em cotas e volumes, reduzir dependências e ganhar protagonismo econômico em meio à disputa entre grandes potências.
Segundo relatório do BTG, o Brasil tem potencial de dobrar ou triplicar exportações ao mercado europeu. Contudo, na avaliação do professor de finanças da Fundação Vanzolini, Marcos Crivelaro, o impacto potencial do tratado para o Brasil é mais profundo e menos óbvio. “O maior efeito do acordo não é tarifário, mas sim financeiro. Ele reduz incerteza institucional e pode diminuir o custo de capital do país”.
A integração vai além do comércio de bens, completa o professor: envolve sistemas financeiros, uso do euro, interesse europeu em soluções como o PIX e até o retorno de bancos europeus ao país, reduzindo a dependência do dólar e diversificando a inserção do Brasil na economia global.
Investimentos
O tratado favorece ainda uma onda de investimentos focados em tecnologia, valor agregado e padronização produtiva. Com o acordo, o Brasil pode se integrar a cadeias globais sofisticadas, como alimentos premium, bioinsumos e máquinas agrícolas avançadas, desde que siga padrões europeus de produção, higiene, embalagem e eficiência.
Sobre isso, Crivelaro ressalta: “o europeu ficaria maluco com geleias de cupuaçu, açaí, cocada. Precisamos trazer a tecnologia de industrialização deles para os nossos insumos”. Na sua visão, o ganho estrutural supera o efeito pontual dos investimentos no saldo comercial.
Agro terá impacto mais imediato
O impacto mais imediato do acordo tende a ocorrer no agronegócio, já que o tratado comercial prevê uma cota anual de 16,5 mil toneladas sujeita a uma tarifa reduzida de 7,5%, que aumentará gradualmente até 99 mil toneladas em 2031, segundo relatório do BTG Pactual. Segundo analistas do banco, o Brasil deve ficar com cerca de 42% desse volume.
Em 2025, o Brasil exportou 128,9 mil toneladas de carne bovina à UE, gerando receita de US$ 1,06 bilhão, segundo a Abiec. Ainda que o mercado europeu não substitua a importância da Ásia e dos Estados Unidos, ele oferece maior valor agregado e previsibilidade regulatória.
Para açúcar e etanol, o acordo melhora condições de preço, mas não altera significativamente os volumes. Já no café, a eliminação gradual da tarifa de 7,5% tende a reforçar a competitividade brasileira em seu principal mercado externo.
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