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Donald Trump deixou claro que quer a Groenlândia. O jornalista veterano James Fallows chamou atenção para um trecho da recente entrevista de Trump ao New York Times. Questionado sobre por que não reabrir bases americanas na Groenlândia — algo permitido por um acordo de 1951 —, o presidente afirmou que queria “fazer isso da forma correta” e que, para ele, isso significava posse.
Em outras palavras, trata-se de uma questão geopolítica em escala ampla, que inclui colocar os Estados Unidos em confronto com todos os países da OTAN, já que a Dinamarca, que detém a Groenlândia, é membro da aliança.
O “princípio mais fundamental” do Tratado do Atlântico Norte é o Artigo 5, que estabelece que “um ataque armado contra um membro da OTAN deve ser considerado um ataque contra todos.”
Atualmente, a OTAN conta com 32 países membros, incluindo Canadá, França, Alemanha, Itália, Noruega e Reino Unido, além da Dinamarca e outros 25. Quatro dos cinco primeiros foram membros fundadores em 1949, e a Alemanha ingressou em 1955. O bloco da OTAN tem muita importância para a estabilidade do mundo, incluindo os EUA, seus inúmeros interesses globais e o comércio internacional.
Qualquer ruptura não garante, necessariamente, um desastre imediato para o país e seus cidadãos; no entanto, aumentaria de forma significativa os riscos — e os contribuintes podem sofrer as consequências.
Custos?
Existem três formas para Trump “possuir” a Groenlândia: os Estados Unidos poderiam comprá-la, tomá-la por meio de força militar ou convencer a Dinamarca e toda a OTAN a ceder.
Caso Dinamarca e Groenlândia concordassem com uma venda amigável, os Estados Unidos teriam de pagar uma grande quantia. Esse valor viria de endividamento e, provavelmente, dos contribuintes. Já se Trump optasse por iniciar uma ação militar, isso também representaria gastos, além da possibilidade concreta de feridos e mortes.
Quanto à persuasão, Trump já sinalizou o caminho: mais tarifas, como noticiou a Reuters, entre outros veículos. Ele prometeu impor uma tarifa adicional de 10% sobre importações a partir de 1º de fevereiro sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido. Esses bens já enfrentam tarifas, e os 10% saltariam para 25% em 1º de junho, até que houvesse um acordo para que os Estados Unidos comprassem a Groenlândia.
As taxas impostas pelos Estados Unidos são impostos sobre o consumo doméstico e, portanto, representam custos adicionais para contribuintes americanos e empresas.
Também trata-se de mais um elemento de incerteza na política comercial dos Estados Unidos, gerando apreensão nos mercados financeiros ao redor do mundo. O rendimento do Treasury Note de 10 anos, um dos principais indicadores financeiros — que influencia algumas variáveis, incluindo taxas de hipotecas —, subiu quase 0,10 ponto percentual ao longo do fim de semana, um movimento significativo.
Cenário de tensões
Questionado pelo Times sobre por que a posse seria importante, Trump respondeu: “Porque é isso que eu sinto ser psicologicamente necessário para o sucesso. Acho que a posse te dá algo que você não consegue, seja falando de um arrendamento ou de um tratado. A posse oferece coisas e elementos que você não obtém apenas assinando um documento, como ter uma base.”
Ao ser perguntado, em seguida, se isso era psicologicamente importante para ele ou para os EUA, Trump afirmou: “Psicologicamente importante para mim. Talvez outro presidente pensasse diferente, mas até agora eu estive certo sobre tudo.”
De fato, como noticiou a Reuters, Trump vinculou sua posição em relação à Groenlândia ao fato de não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz: “Em uma mensagem escrita ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, vista pela Reuters, Trump disse: ‘Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter encerrado 8 guerras, eu não me sinto mais obrigado a pensar exclusivamente na paz, embora ela sempre seja predominante, e agora posso pensar no que é bom e adequado para os Estados Unidos da América.”
O post Tarifas de Trump sobre a Groenlândia Podem Elevar Pressão na Europa e Custos para Americanos apareceu primeiro em Forbes Brasil.