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A sexta-feira (23) foi um dia de recordes generalizados nos preços dos metais. Depois de liderarem a rentabilidade dos investimentos em 2025, os metais preciosos e industriais seguiram subindo em 2026. A prata superou US$ 100 em Nova York pela primeira vez na história.
Os preços do ouro bateram outro recorde e chegaram a um nível máximo de US$ 4.989 por onça (28,8 gramas), alta de 1,1% no dia e de 78,7% em 12 meses. Os preços da platina superaram US$ 2.750 por onça, máximo histórico, com uma alta de 187% em 12 meses. E as cotações do cobre superaram US$ 6,00 por libra, com uma alta de 38,3% em 12 meses.
Demanda industrial
A alta vai além da especulação. Há fatores estruturais por trás da valorização dos metais: um ambiente de tensão geopolítica e de desconfiança em relação ao sistema financeiro. E no caso de prata, platina e cobre, a perspectiva de uma demanda aquecida pelas necessidades da transição energética em um momento de estrangulamento da oferta.
O caso mais didático é o da prata. Há pouca prata na natureza. O metal é obtido como um subproduto da exploração do chumbo e do cobre, o que torna sua extração cara e trabalhosa. Mesmo quando a alta das cotações torna mais jazidas economicamente viáveis, leva tempo para extrair o metal. Por isso, a perspectiva de uma demanda estruturalmente crescente para painéis solares e outros usos sustenta a trajetória de alta. O mesmo raciocínio vale para cobre e platina.
Proteção no longo prazo
A alta dos preços do ouro tem duas causas. Além das necessidades industriais para além da joalheria, como componentes eletrônicos e insumos para os setores aeronáutico e espacial, o metal serve há milênios como proteção patrimonial de longo prazo. Os preços vêm subindo exatamente por isso: o momento atual é de incerteza.
A invasão russa à Ucrânia, que vai completar quatro anos em fevereiro, o conflito no Oriente Médio e a recente intervenção americana na Venezuela elevaram o risco e a percepção de risco. E a travessura mais recente de Donald Trump, que ameaçou anexar a Groenlândia pela força para depois dizer que não era bem assim, reforçou a trajetória de diversificação dos ativos.
Em cenários normais os investidores procuram proteção nos títulos do Tesouro americano. No entanto, os Estados Unidos passaram a ser o epicentro de várias tensões e os investidores vêm buscando alternativas. Uma delas são as ações de outras praças para além dos Estados Unidos, como as brasileiras. Não por acaso, o Ibovespa rompeu três recordes na semana e encerrou a sexta-feira acima de 178 mil pontos. Outra alternativa é o ouro.
Bancos centrais
Esse raciocínio não vale apenas para pessoas físicas. Os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes, Brasil incluído, passaram a comprar mais ouro. Após invadir a Ucrânia, a Rússia sofreu sanções que impediram o acesso de seus bancos ao sistema financeiro internacional. A política externa agressiva de Trump elevou o risco de que essas sanções sejam estendidas para outros países. Para se proteger, os bancos centrais começaram a reforçar seus estoques de ouro.
Apesar de o ouro ser um ativo financeiro muito volátil, os analistas avaliam que as condições que levaram ao recorde de preços permanecem valendo. Isso, por si só, não garante novas altas. A expectativa de analistas era de que o ouro poderia superar US$ 5 mil por onça ao longo do ano. No entanto, faltou pouco para que esse recorde fosse quebrado em janeiro. Por isso, há projeções de novos níveis “psicológicos” sendo rompidos nos próximos meses.
Como investir?
A grande vantagem do ouro como investimento é que ele se comporta de maneira muito diferente das ações e da renda fixa. Ou seja, quando as bolsas caem, é grande a probabilidade de o ouro subir de preço, o que impede grandes perdas patrimoniais para o investidor. Porém, os metais em geral são ativos financeiros voláteis e arriscados. Seus preços oscilam muito sem aviso prévio, e podem cair tanto e tão depressa quanto subiram.
Eles também não oferecem uma renda, como uma ação ou um título de renda fixa, A única maneira de ganhar dinheiro com ouro, prata ou os outros metais é vendendo para outro investidor por um preço maior do que o da compra. Os analistas também advertem que o investidor não deve tentar ganhar com a compra e venda no curtíssimo prazo, o chamado “day-trade”.
Como investir? O caminho mais prático é por meio de instrumentos financeiros. Há duas alternativas disponíveis na B3. Uma delas são os Exchange Traded Funds (ETF), que são cotas de fundos negociadas no pregão como se fossem ações. Dois deles buscam acompanhar os preços do ouro no mercado à vista em Nova York (veja a relação abaixo). São comprados e vendidos em reais, mas ambos têm muita aderência com as variações do dólar.
Outra alternativa são títulos brasileiros que reproduzem ETFs de ouro e de prata negociados no mercado internacional. Esses ativos, chamados Brazilian Depositary Receipts (BDR), reproduzem ações ou ETFs estrangeiros, mas são títulos brasileiros negociados em reais. Eles também são a única maneira de o investidor brasileiro operar com a prata. Para comprar e vender, basta abrir uma conta em uma plataforma de distribuição de produtos financeiros e operar no pregão da B3, da mesma maneira que se opera com ações.
O que comprar?
Ativos para investir em ouro (em ordem alfabética)
1) Investo ETF Solactive Gold Spot Index
Tipo: ETF
Objetivo: seguir o ETF OUNZ negociado na Bolsa de Nova York
Código de negociação: GLDX11
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 121,86 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 39,73%
2) iShares Gold Trust
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir os preços do ouro físico no mercado à vista
Código de negociação: BIAU39
Taxa de administração nominal: 0,25% ao ano
Preço: R$ 122,47 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 58,4%
3) Trend ETF LBMA Ouro
Tipo: ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Gold Price, que acompanha o preço do ouro em dólares
Código de negociação: GOLD11
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 27,09 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 57,8%
Ativos para investir em prata (em ordem alfabética)
1) abrdn Physical Silver Shares
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Silver Price, que acompanha o preço da prata em dólares
Código de negociação: SIVR39
Taxa de administração nominal: 0,30% ao ano
Preço: R$ 161,68 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 176,8%
2) Global X Silver Miners ETF
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: investir em ações de mineradoras de prata do índice Solactive Global Silver Miners Total Return
Código de negociação: BSIL39
Taxa de administração nominal: 0,65% ao ano
Preço: R$ 55,07 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 186,3%
3) iShares Silver Trust
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: seguir o índice inglês LBMA Silver Price, que acompanha o preço da prata em dólares
Código de negociação: BSLV39
Taxa de administração nominal: 0,50% ao ano
Preço: R$ 154,50 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 178,5%
Ativos para investir em outros metais
1) Cobre = Global X Copper Miners ETF
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: investir em ações de mineradoras de cobre do índice Solactive Global Copper Miners Total Return Index
Código de negociação: BCPX39
Taxa de administração nominal: 0,65% ao ano
Preço: R$ 43,50 (22/01/2026)
Variação 12 meses: + 89,5%
2) Metais diversos = Ishares Msci Global Metals Min ETF
Tipo: BDR de ETF
Objetivo: investir em ações de mineradoras de 23 países desenvolvidos reunidas no índice MSCI World Metals and Mining Index
Código de negociação: BPIC39
Taxa de administração nominal: 0,50% ao ano
Preço: R$ 76,90 (22/01/2026)
Variação 11 meses: + 46,8%
O post Prata em US$ 100, Ouro a Quase US$ 5 Mil e Recorde no Cobre; Como Investir? apareceu primeiro em Forbes Brasil.