Déficit Fica em 3,02% em 2025, Ajudado por Investimento Estrangeiro

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 O déficit em conta corrente do Brasil fechou 2025 em relativa estabilidade em relação ao ano anterior, em resultado coberto com folga pelo ingresso de investimentosestrangeiros no país.

O saldo das contas externas ficou em 3,02% do Produto Interno Bruto em 2025, de 3,03% em 2024, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (26).

Os investimentos diretos no país somaram US$ 77,676 bilhões (R$ 409,18 bilhões) no ano passado, equivalente a 3,41% do PIB, contra US$ 74,091 bilhões (R$ 390,84 bilhões) em 2024, ou 3,39% do PIB.

“(O dado) reafirma uma situação de contas externas no país bastante sólidas e com o déficit de transaçõescorrentes inteiramente financiado pelos fluxos de investimento direto no país, que são a mais relevante fonte de financiamento do balanço de pagamentos”, disse o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

Para o economista do ASA Leonardo Costa, apesar da estabilidade do déficit em proporção do PIB no ano, a composição recente é “mais construtiva”, com desempenho mais favorável da balança comercial e redução do déficit em serviços.

“Para 2026, a projeção é de leve melhora do déficit externo, ancorada na continuidade do ajuste da balança comercial e em serviços menos pressionados, mantendo o quadro externo relativamente confortável”, afirmou.

O rombo nas contas externas do país vinha crescendo até fevereiro de 2025 e transcorreu o ano em relativa estabilidade, até registrar uma melhora mais firme em dezembro.

No último mês do ano passado, o país teve déficit em transações correntes de US$ 3,363 bilhões (R$ 17,74 bilhões)bem menor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de US$ 5,3 bilhões (R$ 27,96 bilhões), e abaixo do rombo de US$ 10,237 bilhões (R$ 54 bilhões) de dezembro de 2024. O dado é o melhor para meses de dezembro desde 2015.

Em termos nominais, o Brasil fechou 2025 com um saldo negativo acumulado de US$ 68,791 bilhões (R$ 362,89 bilhões) nas transações correntes, contra déficit de US$ 66,168 bilhões (R$ 349,05 bilhões) em 2024.

Em dezembro, os investimentos diretos no país ficaram negativos em US$ 5,248 bilhões (R$ 27,68 bilhões), contra resultado positivo de US$ 1 bilhão (R$ 5,28 bilhões) esperado na pesquisa da Reuters e ante entrada de US$ 160 milhões (R$ 844,03 milhões) em dezembro de 2024. O valor foi o mais baixo para meses de dezembro da série histórica do BC.

De acordo com Rocha, o valor negativo é explicado por uma sazonalidade que concentra no fim do ano remessas de lucros ao exterior por empresas multinacionais que operam no país.

A partir de janeiro deste ano passou a valer uma retenção de 10% de Imposto de Renda na fonte sobre todas as remessas de lucros enviadas para o exterior, taxação proposta pelo governo e aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado que também pode ter levado empresas a anteciparem remessas.

Em dezembro, saídas líquidas em participação no capital somaram US$ 7,3 bilhões (R$ 38,51 bilhões), resultado de ingressos de US$ 4,1 bilhões (R$ 21,63 bilhões) em participação no capital exceto lucros reinvestidos, e saídas de US$ 11,4 bilhões (R$ 60,14 bilhões) em lucros reinvestidos, explicou o BC, dizendo que o valor negativo denota que, no mês, a distribuição de lucros superou os lucros auferidos. As operações intercompanhia somaram ingressos líquidos de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,08 bilhões).

No mês, a conta de renda primária apresentou déficit de US$ 9,224 bilhões (R$ 48,66 bilhões), ante rombo de US$ 10,075 bilhões (R$ 53,15 bilhões) no mesmo período do ano anterior e fechou 2025 com um saldo negativo acumulado de US$ 81,347 bilhões (R$ 429,12 bilhões). 

Em dezembro, a balança comercial de bens teve superávit de US$ 8,814 bilhões (R$ 46,50 bilhões), contra US$ 4,122 bilhões (R$ 21,74 bilhões) no mesmo mês de 2024, encerrando o ano passado com saldo positivo de US$ 59,952 bilhões (R$ 316,26 bilhões). 

Já o rombo na conta de serviços ficou em US$3,816 bilhões em dezembro, contra déficit de US$ 4,971 bilhões (R$ 26,22 bilhões) em dezembro do ano anterior, acumulando em 2025 saldo negativo de US$ 52,940 bilhões (R$ 279,27 bilhões).

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