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Nos últimos três anos, os ganhos de ações ligadas à tecnologia de inteligência artificial (IA) ficaram concentrados em poucas empresas, conhecidas como as Sete Magníficas ou “AI Seven”. Esse grupo de empresas fornecem as “pás e picaretas” relacionadas à tecnologia, ou seja, infraestrutura, chips, computação e data centers, e é composto por companhias como Nvidia, Microsoft, Google, Meta, Amazon, Apple e Tesla.
Enquanto alguns investidores começam a temer que o mundo esteja passando por uma “bolha” de investimentos em IA, há quem aposte no contrário. Para Ulrike Hoffmann, chefe global de ações no UBS Wealth Management, a tese da IA está entrando pela primeira vez em uma fase de ampliação. A executiva conversou com jornalistas durante a Latin America Investment Conference (LAIC), organizada pelo banco suíço. “Neste ano, o foco se expande para todas as empresas que irão usar IA”.
Nos últimos dois anos, principalmente as empresas de tecnologia tangibilizaram os benefícios da economia proporcionada pela IA. A Microsoft, por exemplo, falou em US$ 500 milhões de economia em 2024, enquanto a Salesforce relatou US$ 186 milhões de economia usando IA para atendimento ao cliente. Agora, Hoffmann explica que é possível ver cada vez mais empresas fora do setor de tecnologia relatarem esses benefícios.
“Acreditamos que este será o ano de bancos, saúde, transporte e praticamente todos os setores da economia. O JP Morgan já anunciou US$ 1,5 bilhão em melhoria de custos, enquanto empresas de transporte, como a C.H. Robinson, disseram que usam IA para planejamento e otimização das rotas e tiveram melhorias significativas. Isso, na nossa visão, vai impulsionar todo o mercado”.
O movimento é tanto cíclico quanto estrutural, e Hoffmann acredita que essa ampliação vai acontecer tanto geograficamente quanto setorialmente. “É por isso que chamamos de ‘a grande ampliação’”.
Saúde é destaque
Há um setor que a chefe de ações do UBS Wealth Management considera como o mais bem posicionado para se beneficiar da IA: o de saúde. Isso porque o valor de mercado das empresas do setor ainda está abaixo da média do índice de ações S&P 500, enquanto existem oportunidades ao longo de toda a cadeia de valor do setor — desde serviços de saúde, otimização de tratamentos, até diagnósticos.
Recentemente foram feitos anúncios encorajadores sobre o uso da tecnologia no segmento. “Cada vez mais dados estão se acumulando mostrando que a tecnologia pode ser um grande fator de transformação” no setor”.”.
Já está em testes clínicos de fase 2 nos EUA, por exemplo, o primeiro medicamento desenvolvido por IA. Além disso, a Nvidia está lançando neste mês o primeiro supercomputador farmacêutico baseado na tecnologia. A ideia é usar todos os dados proprietários — como genômica e de design molecular — para desenvolver novos medicamentos. O Google, com o AlphaFold, vem conseguindo prever a estrutura tridimensional de proteínas, algo que auxilia na descoberta de novas drogas.
O custo de desenvolver um novo medicamento dobrou a cada nove anos nas últimas décadas. Portanto, uma potencial otimização da cadeia, desde a descoberta até os testes clínicos, pode modificar de forma relevante a rentabilidade para as grandes farmacêuticas, conclui Hoffmann. “A Insilico Medicine, por exemplo, que tem um medicamento em ensaio clínico, conseguiu reduzir o tempo de desenvolvimento desse fármaco em cerca de 80% em relação ao pipeline tradicional”.
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