Quem É Kevin Warsh, Indicado de Trump para a Chefia do Federal Reserve

O presidente Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (30) que seu indicado para a presidência do Federal Reserve é Kevin Warsh, ex-dirigente do banco central que se tornou um crítico da instituição e ex-assessor do presidente George W. Bush. Além disso, ele tem vínculos familiares com um bilionário doador histórico do Partido Republicano.

Warsh, de 55 anos, formou-se em Direito pela Universidade Harvard em 1995 antes de se tornar banqueiro no Morgan Stanley, onde mais tarde atuou como vice-presidente e diretor executivo. Em 2002, ingressou no governo Bush como secretário executivo do Conselho Econômico Nacional. Bush indicou Warsh para integrar o Conselho de Governadores do Federal Reserve em 2006, tornando-o, aos 35 anos, a pessoa mais jovem a ingressar no BC americano. 

Durante a crise financeira de 2008, Warsh auxiliou o governo no resgate da seguradora AIG e ajudou na aquisição da Bear Stearns pelo JPMorgan. A corretora, com 85 anos de história, colapsou à medida que a indústria de bancos de investimento entrava em crise.

Ele criticou a decisão do Fed de reduzir rapidamente as taxas de juros durante o colapso financeiro, argumentando que os cortes apenas estimulariam a inflação. Ele também foi o único dirigente do Fed a se posicionar contra o plano do banco central, em 2011, de comprar US$ 600 bilhões (R$ 3,24 trilhões) em títulos do Tesouro.

Após deixar o Fed em 2011, passou a integrar o think tank conservador Hoover Institution. Warsh esteve entre os finalistas antes de Trump indicar Jerome Powell para suceder Janet Yellen na presidência do Fed, em 2017. Ele é crítico do atual presidente do BC americano e afirmou à CNBC, no ano passado, que apoiava uma “mudança de regime” no Fed, dizendo que a política da instituição estava “quebrada há bastante tempo” e argumentando que Trump estava “certo em se frustrar” com a recusa de Powell em reduzir os juros de forma mais rápida.

Em 2002, Warsh se casou com a bilionária Jane Lauder, neta de Estée Lauder, que possui um patrimônio de US$ 2,7 bilhões (R$ 14,58 bilhões). Seu sogro é o bilionário Ronald Lauder, colega de classe de Trump na década de 1960 e doador do Partido Republicano (seu patrimônio é estimado em US$ 5 bilhões, ou R$ 27 bilhões). Segundo relatos, Ronald Lauder é creditado por ter despertado o interesse de Trump na possibilidade de os Estados Unidos comprarem a Groenlândia.

Desde que deixou o Fed em 2011, Warsh trabalha como sócio da Duquesne Family Office, empresa de investimentos criada por Stanley Druckenmiller para administrar seu patrimônio pessoal. Druckenmiller, que atuou como gestor de hedge funds ao lado do bilionário George Soros, tem fortuna estimada em US$ 7,8 bilhões (R$ 42,12 bilhões).

Recepção e crítica

O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, que já foi presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra, afirmou que Warsh é uma “escolha fantástica para liderar o banco central mais importante do mundo neste momento crucial”. O pesquisador sênior da Brookings, Robin Brooks, escreveu no X que Warsh é uma “escolha realmente boa” para presidir o Fed. 

Jason Furman, que presidiu o Conselho de Assessores Econômicos durante o governo Barack Obama, disse que Warsh está “muito acima do nível exigido tanto em substância quanto em independência” para comandar a instituição. O economista Mohamed El-Erian afirmou acreditar que Warsh “traz uma combinação forte de profundo conhecimento técnico, ampla experiência e grande capacidade de comunicação”.

A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts, é uma das principais críticas ao nome de Warsh: “Kevin Warsh — que se importou mais em ajudar Wall Street após o colapso de 2008 do que milhões de americanos desempregados — aparentemente passou no teste de lealdade [de Trump]”. Warren acrescentou que nenhum republicano que “afirme se importar com a independência do Fed” deveria avançar com a indicação de Trump enquanto ele não encerrar suas “caças às bruxas” contra Powell e a diretora do Fed Lisa Cook.

Próximos passos

O mandato de Powell termina em maio, embora ele possa permanecer no conselho até 2028. Isso, no entanto, representaria um afastamento significativo do precedente estabelecido e não ocorre desde a década de 1940. Powell tem sido um dos principais alvos de críticas e ataques de Trump desde que o presidente iniciou seu segundo mandato no ano passado, discordando da maioria das decisões do dirigente do Fed. 

Neste mês, o Departamento de Justiça do governo Trump abriu uma investigação contra Powell, que não pode ser simplesmente demitido pelo presidente, por supostas declarações falsas prestadas em depoimento sobre uma reforma de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,5 bilhões) na sede do Federal Reserve — acusações que Powell nega veementemente. Ele respondeu à investigação federal com uma declaração contundente, afirmando: “A ameaça de acusações criminais é consequência de o Federal Reserve definir as taxas de juros com base na nossa melhor avaliação do que atende ao interesse público, em vez de seguir as preferências do presidente”. 

Powell acrescentou que a questão central é “se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas ou se, ao contrário, a política monetária será orientada por pressão política ou intimidação”. Powell ainda não confirmou se pretende permanecer no conselho ou deixar a instituição ao término de seu mandato como presidente.

O indicado de Trump precisará ser confirmado pelo Senado, e o caminho pode não ser simples. Um dos principais parlamentares republicanos, o senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, integrante do Comitê Bancário do Senado, afirmou que bloqueará qualquer indicação ao Fed até que o Departamento de Justiça dos EUA conclua sua investigação sobre Powell e a reforma do prédio do banco central em Washington.

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