O Busy Ming Group, uma varejista chinesa de lanches conhecida por seus produtos de baixo custo, criou dois bilionários graças à sua estreia bombástica no mercado de Hong Kong nesta quarta-feira. Suas ações subiram mais de 70% em relação ao preço da oferta pública inicial (IPO).
Os dois novos membros do “clube dos três vírgulas” são Yan Zhou e Zhao Ding. De acordo com estimativas da Forbes, Yan, o presidente de 38 anos, tem uma fortuna de US$ 3,1 bilhões (R$ 16,43 bilhões), enquanto Zhao, o vice-presidente de 36 anos, tem um patrimônio líquido de US$ 2 bilhões (R$ 10,6 bilhões). Ambos extraem suas fortunas de participações na varejista sediada na cidade de Changsha, na província de Hunan.
A Busy Ming arrecadou HK$ 3,7 bilhões (dólares de Hong Kong) — equivalentes a US$ 470 milhões (R$ 2,49 bilhões) — no IPO, vendendo 15,5 milhões de ações a HK$ 236,6 cada, no topo da faixa comercializada. A empresa planeja usar os recursos para modernizar sua cadeia de suprimentos e lojas, além de intensificar atividades promocionais, de acordo com seu prospecto. A venda de ações, cuja fatia para o varejo teve uma procura quase 1.900 vezes maior que a oferta, atraiu investidores de peso como BlackRock, Tencent e Temasek.
A empresa não respondeu a um pedido de comentário enviado por e-mail sobre a riqueza de Yan e Zhao.
Os investidores estão otimistas quanto às perspectivas da Busy Ming devido à sua estratégia de baixo custo, afirma Kenny Ng, estrategista de valores mobiliários da Everbright Securities International, sediado em Hong Kong, via mensagens enviadas pelo WeChat.
A varejista, por exemplo, oferece produtos como uma caixa de 54 gramas de biscoitos de chocolate por 2,9 yuans — ou 40 centavos de dólar (R$ 2,12) — ou um pacote de 500 gramas de castanhas de caju torradas por 49,9 yuans.
Seus preços são tipicamente 25% mais baratos do que os dos supermercados, escreveu Arun George, analista que publica na plataforma de pesquisa Smartkarma, em uma nota de pesquisa de janeiro. Ng, da Everbright, diz que isso torna a Busy Ming menos vulnerável à queda no consumo da China, à medida que as famílias “apertam os cintos” em meio a uma crise imobiliária prolongada e uma rede de segurança social precária.
“Nos últimos anos, a Busy Ming demonstrou um crescimento exponencial”, diz Ng. “Os investidores acreditam que a empresa tem chance de sustentar esse crescimento no curto prazo.”
Ng afirma que a varejista deve ser capaz de crescer rapidamente este ano e no próximo. As vendas aumentaram 75,2%, chegando a 46 bilhões de yuans nos primeiros nove meses de 2025 (os resultados financeiros mais recentes disponíveis), conforme o prospecto, enquanto o lucro líquido mais que triplicou, atingindo 1,6 bilhão de yuans no mesmo período. A Busy Ming opera uma rede de cerca de 20.000 lojas em toda a China, a maioria em cidades de menor porte e vilas.
Yan fundou a marca de lanches Busy for You em Changsha em 2017, enquanto Zhao fundou a varejista Super Ming em Yichun, na província de Jiangxi, no sudeste do país, em 2019. As duas empresas se fundiram em 2023 para se tornarem a Busy Ming, que continua vendendo sob ambas as marcas.
Em uma entrevista de janeiro ao veículo de mídia local LatePost, Yan disse que queria construir uma marca de lanches baratos para as massas. O magnata relembrou sua infância em uma vila rural em sua província natal, Hunan, e como as pessoas lá ficavam encantadas com lanches pequenos e acessíveis.
Zhao viu uma oportunidade semelhante, segundo a mídia local 36Kr. O empresário, que abandonou o ensino médio, vendia lanches já em 2008, de acordo com a reportagem da 36Kr. Após a fusão, a Busy Ming levantou fundos com investidores como HongShan Capital Group (anteriormente Sequoia Capital China), 5Y Capital e Gaorong Ventures antes de chegar aos mercados públicos.
“Nossos fundadores, o Sr. Yan Zhou e o Sr. Zhao Ding, são empreendedores jovens e altamente perspicazes”, escreveu a empresa em seu prospecto. “Por meio de um direcionamento preciso de grupos de consumidores, modelos de negócios inovadores e um sistema de cadeia de suprimentos disruptivo, eles forneceram aos consumidores produtos com alta relação custo-benefício.”