CEO da B3 Vê Cenário Promissor para IPOs no País em 2026: “Dias Melhores Virão”

Na semana passada, a estreia das ações do PicPay em Nova York inaugurou um novo momento para as empresas brasileiras. Depois de mais de quatro anos sem estreias na bolsa, a oferta bem-sucedida da fintech fez muitos especialistas apontarem que uma nova janela de oportunidade pode estar se abrindo nas empresas locais.

Enquanto muito se fala da busca e atratividade de uma abertura de capital nos Estados Unidos, o CEO da B3, Gilson Finkelsztain, afirma que “dias melhores virão” também para a bolsa brasileira.

Em evento com jornalistas nesta quinta-feira (05), o executivo afirmou que o bom momento de fluxo estrangeiro — ainda que seja uma pequena fração do capital que está fugindo dos Estados Unidos — pode levar empresas maduras e já preparadas a desenterrarem os projetos de IPO. O setor de infraestrutura pode ser o primeiro a dar a largada na nova janela.

Na avaliação de Finkelsztain, não faltam candidatas — o que ainda separa muitas companhias da estreia é, sobretudo, a equação entre apetite por risco e disponibilidade de capital. Hoje, mais de 50 empresas já estariam aprovadas e com estruturas de governança preparadas para acessar o mercado. O que falta é demanda. 

Apesar dos sucessivos recordes, o investidor local ainda segue avesso ao risco e apegado aos rendimentos “gordos” da renda fixa. Após sinalização do Copom em seu último comunicado, o mercado projeta majoritariamente um corte de 0,5 ponto percentual em março e uma Selic de 12,5% ao ano em dezembro. 

Para o executivo, o fluxo estrangeiro recente ajuda a mudar esse quadro. Parte do movimento decorre de uma realocação global de recursos em direção aos mercados emergentes — tendência que, se capturada mesmo em frações, pode se traduzir em bilhões de reais para a renda variável brasileira.

Ainda é cedo para dimensionar a magnitude desse ciclo, mas o tom na bolsa é de cauteloso otimismo.

Padrão diferente

Ao contrário do que ocorreu na última janela de IPOs — que ocorreu entre 2020 e 2021 —,, o executivo espera que empresas mais robustas, com planos de investimento bem definidos e operações bilionárias sejam as primeiras a tocarem a campainha da B3. O setor de infraestrutura desponta como a candidata natural a inaugurar a nova janela — especialmente saneamento, seguido por logística — refletindo negócios intensivos em capital e com demanda estrutural no país.

A partir daí, o leque deve se ampliar. Energia, concessões rodoviárias, farmacêuticas, cimenteiras e siderúrgicas aparecem no radar, em um universo ainda fortemente composto por companhias familiares com espaço para expansão. “O Brasil tem bons empreendedores e muitos bons negócios”, resumiu o CEO ao destacar a diversidade de potenciais emissores.

Embora algumas empresas tenham buscado — ou ainda considerem — listagens no exterior, a expectativa da B3 é que a maioria das ofertas ocorra localmente. Na leitura de Finkelsztain, companhias brasileiras reconhecem o valor estratégico de manter o investidor doméstico na base acionária, sobretudo pessoas físicas e institucionais que não operam fora do país.

Se o cenário cooperar, o mercado pode surpreender. Bancos que acompanham as operações falam em um potencial de 10 a 15 transações ao longo do ano, entre IPOs e follow-ons — número ainda condicionado à continuidade dos fluxos internacionais e à estabilidade macroeconômica.

IPOs: Ajuda da Selic

O verdadeiro divisor de águas, contudo, segue sendo a trajetória dos juros. Apesar da perspectiva de queda, a taxa ainda permanece em patamar elevado para estimular uma migração mais consistente do investidor local para ações. Hoje, a parcela do patrimônio dos brasileiros alocada em renda variável gira entre 5% e 6%, bem abaixo dos cerca de 15% observados no passado.

Apesar do início dos cortes na Selic, a meta está em uma possibilidade de juros de dígito nos próximos anos. Esse movimento teria potencial para reativar a demanda doméstica e criar um efeito multiplicador: mais investidores, maior liquidez e, consequentemente, mais empresas dispostas a abrir capital.

Até lá, o executivo evita previsões categóricas, mas não esconde a confiança de que a engrenagem começa a girar novamente. “Estamos bem esperançosos e acho que dias melhores virão”, conclui. 

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