O rally do ouro e da prata entre 2025 e o início de desse ano ilustra como fundamentos sólidos podem ser “turbinados” por movimentos especulativos.
O ouro chegou à marca de US$ 5.326 e a prata disparou mais de 140% em um ano, impulsionados inicialmente por tensões geopolíticas globais, compras massivas de bancos centrais e incertezas sobre a autonomia do Federal Reserve (Fed), o BC americano, sob o governo Trump.
Esse cenário criou a base real: investidores buscando refúgio contra o risco sistêmico e a desvalorização das moedas. Até que veio a especulação após a indicação do novo presidente do Fed por Trump.
O que é um movimento especulativo?
O movimento especulativo ocorre quando o preço de um ativo é impulsionado não pelos seus fundamentos como rentabilidade e liquidez, mas pela expectativa de valorização rápida no curto prazo.
O investidor compra o ativo esperando que o mercado fique ainda mais otimista, permitindo que ele o venda por um preço maior em pouco tempo. A estratégia é baseada na liquidez com foco na oscilação do preço, e não na geração de valor.
Esses movimentos são frequentemente alimentados por notícias, rumores ou tendências tecnológicas, criando um efeito de manada. No entanto, por não possuir uma base sólida, esse movimento costuma ser volátil e reversível; assim que o otimismo diminui a queda pode ser tão rápida e agressiva quanto a subida.
Segundo o professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Sergio Goldbaum, “decisões geopolíticas impactam diretamente o movimento especulativo, mas é necessário separar questões de longo e curto prazo”. O alerta é justificado porque ondas especulatórias representam tanto um risco elevado quanto uma oportunidade de liquidez e para evitar perdas futuras é necessário estar atento.
A onda especulativa geralmente começa com uma narrativa convincente, como uma inovação tecnológica disruptiva ou uma mudança na política monetária, aliada a uma liquidez abundante no mercado. Os investidores começam a alocar capital, gerando uma alta inicial, e esse movimento pode ser considerado uma mudança de curto prazo, o que atrai a atenção do mercado, que utiliza o frenesi para empurrar os preços ainda mais para cima.
À medida que o preço sobe, o componente psicológico assume o controle através do efeito de manada.
Como reconhecer e evitar a onda de especulações?
Para João Ferreira, sócio da One Investimentos, há um jeito de reconhecer o movimento: uma valorização muito abrupta. “Um ativo valorizando 10% ou 20% em um mês é extremamente incomum para um ativo de proteção.”
Além disso, vale a análise do volume. Quando a quantidade de negociação atinge níveis recordes, é possível perceber que o ativo está extremamente sobrecomprado, e o sinal de alerta deve acender.
A melhor forma de evitar perdas em movimentos especulativos é se manter consciente, e como diz Ferreira, “sempre vale a máxima: compre ao som de canhões e venda ao som de trombetas. Se há muita notícia de alta, fique cauteloso”.
Além disso, é essencial aplicar uma margem de segurança em todas as aplicações e manter um posicionamento tático e progressivo: divida a alocação ao longo do tempo em vez de comprar tudo de uma vez. Isso cria um preço médio e mitiga perdas e oscilações.