“2026 Não Será um Ano de Acomodação”, Diz Noronha, CEO do Bradesco

Após encerrar o ano passado com lucros cerca de 10% acima das projeções iniciais, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, afastou a visão de que 2026 o banco colocará o pé no freio. “Não será um ano de acomodação. Continuamos a investir para aumentar a competividade”, disse, em teleconferência de resultados do quarto trimestre do banco.

O banco se defende de prováveis revisões de analistas para o preço de suas ações após divulgar projeções para 2026 que foram consideradas conservadoras. O ponto médio de R$ 27 bilhões do lucro líquido estimado entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões (ROE de 14% a 17%) ficou 4% abaixo das expectativas. “O mercado de alguma maneira puxou o nosso lucro líquido, mas tiramos desvios que não faziam sentido. Não damos um salto assim ano contra ano porque continuamos investindo em transformação”, explicou Noronha.

O presidente do banco lembra que o Bradesco segue executando seu plano estratégico de maneira ordenada e planejada, ‘step by step’. “Somos mais capazes de surpreender positivamente do que o contrário“, afirmou. E o mercado e o histórico reforçam a visão. O Itaú BBA classificou o guidance como conservador, e segue posicionado em seu limite superior, e o banco superou de forma relevante o ponto médio das projeções duas vezes desde o início de seu plano estratégico em 2024.

As principais alavancas para o crescimento será o crédito com seletividade, receitas com serviços e seguros. “Estamos vendo o ano com otimismo. Nossa organização é diversificada”, diz Noronha. Em 2026, o banco quer aumentar o cross selling entre seus canais, e trazer seguros para a divisão de financiamentos e trazer em breve produtos de seguro para o seu app.

Para 2026, o guidance aponta continuidade da expansão da carteira de crédito (8,5% a 10,5%, ante 11% em 2025); margem financeira ajustada ao risco entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões (alta de 13% frente aos R$ 40 bilhões de 2025); crescimento de receitas com tarifas de 3% a 5%; expansão dos resultados de seguros de 6% a 8%; e avanço das despesas operacionais entre 6% e 8%.

Os analistas do Itaú BBA veem com bons olhos a postura mais prudente, especialmente diante das incertezas deste ano. A projeção de crescimento de tarifas parece conservadora frente aos 9% entregues em 2025. A expansão de seguros também fica bem abaixo dos 16% registrados no ano passado, o que pode abrir espaço para surpresas positivas. “Dada a trajetória sólida de receitas e a disciplina na qualidade do crédito, seguimos confiantes no guidance ao longo do ano”.

Noronha apontou a potencial volatilidade causada pela eleição como possível detrator do resultado. Mas, por outro lado, diz que o nível de desemprego continua equilibrado, o que dá potencial para crescer. “Se a queda da Selic for mais rápida também pode ajudar, pois beneficiará empresas mais alavancadas”.

Impacto na ação

Após a forte valorização do papel do banco no ano passado, o Itaú BBA acredita que possa haver realização de lucros dos investidores na sessão de hoje. Em caso de eventual fraqueza, o banco de investimento irá comprar a a ação.

“Permaneceremos confortavelmente no topo da faixa de projeção de lucro do banco: esperamos lucro de R$ 29,2 bilhões para 2026, refletindo otimismo com o cenário macro e a execução, e capturando potencial de alta ao longo do ano. A tese original de melhora sustentada da rentabilidade por fatores micro e macro segue plenamente válida”.

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