Dólar Encerra Sequência de Alta, Mas Ibovespa Permanece em Baixa

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Esta terça-feira (15) foi guiada por dados da economia chinesa e da americana. No segundo trimestre deste ano, o Produto Interno Bruto (PIB) da China teve avanço de 5,2%, uma desaceleração em relação ao período anterior, que registrou alta de 5,4%, mas superior ao esperado pela pesquisa Reuters, que previa elevação de 5,1%. O dia também foi marcado pela divulgação do índice preços ao consumidor (CPI, a sigla em inglês) dos EUA, que subiu 0,3% em junho, após avanço de 0,1% em maio. Nos últimos 12 meses, o CPI teve alta de 2,7%, depois registrar acréscimo de 2,4% em maio.

No Brasil, as incertezas sobre a economia mantiveram-se relacionadas às tarifas de 50%, estipuladas pelos Estados Unidos, sobre as importações brasileiras. O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o governo trabalhará para reverter isso “o mais rápido possível”, ponderando que o país poderá pedir mais prazo para negociar se necessário. A aplicação da tarifa pelos EUA está prevista vigorar a partir de 1º de agosto.

Tendo em vista essas informações, o dólar à vista fechou com baixa de 0,48%, aos R$ 5,5595, após uma sequência de quatro sessões em alta. Na segunda-feira (14), a moeda registrou a sua maior cotação desde o dia 5 de junho. O Ibovespa, porém, manteve-se em queda, com recuo de 0,04% e pontuação de 135.250,10. Em contraste, o índice de tecnologia Nasdaq subiu e registrou seu mais recente recorde nesta terça, apoiado por um salto nas ações da Nvidia, embora Dow Jones e S&P 500 tenham fechado em baixa, sem que dados relevantes da inflação americana e uma série de balanços corporativos de bancos conseguissem entusiasmar investidores.

O mercado também colocou no radar a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Durante o dia, houve  a audiência de conciliação promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre o governo e o Congresso Nacional, que terminou sem acordo. Os dois lados optaram por aguardar a decisão judicial, segundo termo assinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

A disputa foi parar no Supremo depois que a Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com ação para defender o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que elevava alíquotas do IOF, mas que foi derrubado pelo Congresso Nacional.

Destaques

– MRV&CO ON perdeu 2,87%, após chegar a recuar quase 8% mais cedo no pregão, depois que a construtora divulgou seus dados operacionais referentes ao segundo trimestre. Analistas do BTG apontaram para o consumo de caixa acima do esperado das operações brasileiras da MRV&Co no período, de R$ 102 milhões, com queima de R$ 80,7 milhões na incorporação, R$ 30,1 milhões na Luggo, mas geração de R$ 8,7 milhões na Urba. “O segundo trimestre foi misto (dados operacionais sólidos, mas fluxo de caixa fraco)”, afirmaram os analistas em relatório.

– VALE ON caiu 2,62%, na segunda sessão de declínio e respondendo por uma das principais pressões baixistas para o índice da bolsa brasileira. O movimento veio na contramão dos ganhos do minério de ferro no dia, cujo contrato de setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações diurnas com alta de 0,26%, a 766,5 iuanes (R$ 594,45) a tonelada.

– PETROBRAS PN fechou com variação negativa de 0,78% e PETROBRAS ON recuou 1,14%, com respaldo do declínio nos preços do petróleo no exterior, onde o barril do Brent cedeu 0,72%, a US$ 68,71 (R$ 381,00).

– SUZANO ON avançou 1,1%, tendo como pano de fundo comentários do diretor-geral para as Américas, Guilherme Miranda, de que a fabricante de papel e celulose ainda não viu qualquer impacto relacionado ao anúncio do governo dos EUA de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, mas está trabalhando na formação de estoques nos EUA como uma estratégia de hedge.

– BANCO DO BRASIL ON subiu 1,06%, entre as principais contribuições positivas para o Ibovespa, com ITAÚ UNIBANCO PN e SANTANDER BRASIL UNIT também fechando no azul, com altas de 0,34% e 2,28%, respectivamente. Na ponta oposta, BTG PACTUAL UNIT perdeu 0,91%, BRADESCO PN recuou 0,06%.

– EMBRAER ON subiu 0,57%, interrompendo uma sequência de seis quedas seguidas, após um pregão volátil onde mudou de sinal várias vezes, tendo no radar comentários do presidente-executivo, Francisco Gomes Neto, de que a tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre o Brasil pode ter um impacto na receita da empresa semelhante ao da crise da covid-19. Ele acrescentou que estima-se um custo adicional de cerca de US$ 9 milhões (R$ 50,04 milhões) por avião exportado aos EUA.

– MARFRIG ON subiu 2,61% e BRF ON fechou estável, com nova data para realização das assembleias que votarão a fusão das empresas: 5 de agosto. No setor, MINERVA ON teve alta de 1,33%. O presidente da Associação Brasileira de Carne Bovina (Abiec), Roberto Perosa, disse à Reuters nesta terça-feira que os frigoríficos brasileiros estão avaliando se farão novos embarques de carne bovina para os Estados Unidos diante das tarifas de Trump sobre o Brasil. Os EUA são o segundo maior mercado para a carne bovina brasileira, depois da China.

– RAÍZEN PN caiu 1,31%, revertendo abertura positiva após informar que decidiu descontinuar operações da Usina Santa Elisa, em São Paulo, por tempo indeterminado como parte de sua estratégia de reciclagem de portfólio. Ao mesmo tempo, a São Martinho anunciou que comprará aproximadamente 10,6 mil hectares de cana de contratos da Usina Santa Elisa por até R$242 milhões. SÃO MARTINHO ON fechou com alta de 3,67% e COSAN ON avançou 1,59%.

– LWSA ON subiu 4,51%, entre as principais variações positivas do Ibovespa. Analistas da XP projetaram resultados sólidos para a companhia no segundo trimestre, com Ebitda de R$67 milhões (alta de 17% ano a ano) e lucro líquido de R$ 21 milhões. A empresa prevê divulgar seu resultado em 14 de agosto.

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