Tarifaço, Fiscal e Desaconragem de Expectativas Mantêm Selic em 15% Ao Ano

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A segunda decisão de política monetária do dia teve muitos pontos em comum com o cenário divulgado pelo Federal Reserve no meio da tarde. Há pouco, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) também manteve a taxa de juros estacionada — em 15% ao ano — e mostrou renovada cautela com a política tarifária de Donald Trump. 

“O ambiente externo está mais adverso e incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos”, aponta um trecho do comunicado. Em outro momento, o texto afirma que “o Comitê tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”. 

Vale lembrar que, nesta tarde, o governo americano publicou o decreto que oficializa a tarifa extra de 40%, somando-se aos 10% instituídos em abril. No entanto, uma ampla lista de exceções minimizam o impacto da medida. 

A decisão do colegiado também reforça que, devido às desancoragens das expectativas de inflação  para os horizontes de 2025 e 2026 e “os riscos para a inflação mais elevados do que o usual”, será preciso manter a política monetária em patamar “significativamente contracionista por um período bastante prolongado”. 

Embora as incertezas do cenário econômico internacional e os seus impactos em países emergentes tenham sido o grande destaque da decisão, os problemas com a política monetária do governo brasileiro não deixaram de ser mencionados. 

“[O COPOM] segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, aponta o documento. 

O que pensa o mercado

Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, apesar dos sinais de moderação da atividade e dinâmica mais favorável nos dados de inflação mais recentes, a expectativa desancorada ainda é o principal fator de preocupação para o comitê. 

“Mantemos nossa expectativa de início da flexibilização em dezembro. A inflação dá os primeiros sinais de queda e o esfriamento da atividade deve continuar com a desaceleração do crédito. O câmbio mais favorável e a recente queda de preços ao produtor ainda terá efeito na inflação ao consumidor nos próximos meses, e as expectativas de inflação devem continuar a tendência de revisões de baixa”, aponta a economista. 

Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, o comunicado corrobora a precificação e a tese do mercado de que ainda é cedo para esperarmos qualquer movimento de corte de juros, o que pode se estender somente para 2026. 

“O texto é finalizado deixando claro que o Banco Central não hesitará em retomar o ciclo de ajuste, caso julgue apropriado – o que sinaliza uma postura firme quanto à condução da política monetária”, conclui Vieira. 

Caio Megale, economista-chefe da XP, vê o início do ciclo de corte de juros em janeiro, com a Selic caindo para 12,50% após cinco cortes consecutivos de 0,50 p.p. “Para que a taxa básica se aproxime de seu nível neutro – cerca de 5,50% em termos reais –, será necessário maior progresso tanto no reequilíbrio do hiato do produto quanto, principalmente, na melhora das perspectivas de reformas fiscais a partir de 2027”, explica Megale.

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