Como um Aporte de US$ 500 Milhões Turbinou a Fortuna dos Fundadores da Ripple

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A empresa de criptomoedas Ripple levantou US$ 500 milhões (R$ 2,67 bilhões), levando a empresa a um valor de mercado de US$ 40 bilhões (R$ 214 bilhões). O investimento foi liderado por fundos ligados à Fortress Investment Group, Citadel Securities, além de Pantera Capital, Galaxy Digital, Brevan Howard e Marshall Wace.

O negócio sucede uma oferta de recompra de ações de US$ 1 bilhão (R$ 5,35 bilhões) com o mesmo valuation e eleva o patrimônio líquido do cofundador Chris Larsen para US$ 13,8 bilhões (R$ 73,83 bilhões), ante US$ 10,2 bilhões. O CEO Brad Garlinghouse também entra na lista de bilionários, com fortuna estimada em US$ 3,5 bilhões (R$ 18,73 bilhões) baseada em uma participação de 6% na empresa e em tokens XRP.

Arthur Britto, um dos criadores do token XRP Ledger, também é bilionário: ele detém ao menos 1,3 bilhões de XRP em carteiras rastreadas pela Gray Wolf Analytics, valorados em cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,05 bilhões).

“A decisão de aceitar US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões) em nova participação ordinária reflete o valor estratégico de aprofundar os relacionamentos com parceiros financeiros cuja expertise complementa o crescente leque de produtos globais da Ripple”, disse a empresa em comunicado na quarta-feira.

A Ripple não precisava desse dinheiro. Ela possui 35 bilhões de XRP, avaliados em aproximadamente US$ 80 bilhões (R$ 428 bilhões) com o preço de quarta-feira de US$ 2,27 (R$ 12,14) por token. Esses ativos, que representam mais de 30% do total da oferta de XRP, são liberados aos poucos todo mês, conferindo à Ripple um dos mecanismos de autofinanciamento mais lucrativos.

Topo do império cripto?

A companhia inicialmente apresentou o XRP como uma “moeda ponte” para substituir o sistema SWIFT e simplificar pagamentos transfronteiriços. Fez parcerias de impacto, incluindo com a MoneyGram em 2019, mas teve dificuldade para converter atenção em uso contínuo.

No ano passado, a Forbes incluiu a Ripple em sua lista de “blockchains zumbis” — 50 projetos de criptomoedas de bilhões de dólares sustentados principalmente pela especulação, e não por um uso real.

Depois vieram os reguladores. Em 2020, a U.S. Securities and Exchange Commission (SEC) processou a Ripple por vender XRP como um valor mobiliário não registrado. A batalha jurídica de cinco anos terminou em agosto com um acordo de US$ 125 milhões (R$ 668,8 milhões).

Em vez de recuar, a Ripple investiu. Em dois anos, executou uma das séries de aquisições mais agressivas do mundo cripto, adquirindo a GTreasury (software de gestão de tesouraria) por US$ 1 bilhão (R$ 5,35 bilhões), o broker principal Hidden Road por US$ 1,25 bilhões (R$ 6,69 bilhões), a infraestrutura de stablecoin Rail por US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhões) e as custodias Metaco (US$ 250 milhões – R$ 1,34 bilhões) e Standard Custody (valor não divulgado).

Até agora, está funcionando. A Ripple afirma que seus volumes de pagamento superaram US$ 95 bilhões (R$ 508,3 bilhões) e sua stablecoin RLUSD, lançada em dezembro, acaba de ultrapassar US$ 1 bilhão (R$ 5,35 bilhões) em capitalização de mercado.

Já está sendo usada como garantia pela Ripple Prime — o negócio rebatizado da Hidden Road — que processava US$ 3 trilhões (R$ 16,05 trilhões) por ano entre 300 clientes institucionais antes da aquisição. A corretora está também se expandindo para empréstimos garantidos por XRP, de acordo com a empresa.

No fim, a sobrevivência muitas vezes se mostra o melhor negócio. Graças à sua base de fãs leais, que continua a sustentar a valorização elevada do XRP, a empresa de blockchain que um dia prometeu reinventar os pagamentos globais fez um desvio — e comprou ao longo do caminho uma infraestrutura séria.

Ainda assim, é questionável se o conjunto de negócios heterogêneo mantido pelo conglomerado cripto justifica o valuation de US$ 179 bilhões (R$ 958,65 bilhões) que atualmente está sendo atribuído à Ripple e seu token.

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