Paramount Lança Oferta Hostil Bilionária e Supera Netflix na Disputa pela Warner Bros

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A Paramount lançou, nesta segunda-feira (8), uma oferta hostil para comprar a Warner Bros., desafiando diretamente o acordo anunciado com a Netflix. A companhia confirmou que apresentou uma proposta que adiciona US$ 18 bilhões (R$ 97,2 bilhões) ao valor colocado na mesa pela Netflix, que na semana passada anunciou um negócio de US$ 82,7 bilhões (R$ 446,58 bilhões) para adquirir a empresa. Com isso, a oferta hostil chega a US$

Liderada por David Ellison, a Paramount ofereceu US$ 30 por ação (R$ 162) pela totalidade da Warner Bros. Discovery, Inc., criticando o acordo de US$ 27,75 por ação (R$ 149,85) firmado com a Netflix. Segundo a empresa, a proposta da rival oferece “valor inferior e incerto” e ainda expõe os acionistas a um longo processo de aprovação regulatória.

O movimento acontece um dia depois de o presidente Donald Trump, que conta com apoio declarado da bilionária família Ellison, ter dito que o acordo com a Netflix poderia chamar a atenção de autoridades antitruste, já que a participação combinada das duas empresas no mercado de streaming “poderia ser um problema”.

Apetite de Ellisons

Ellison, de 42 anos, apoiado por seu pai Larry Ellison, fundador da Oracle e segundo homem mais rico do mundo, adquiriu outro estúdio lendário de Hollywood, a Paramount, em agosto, por US$ 8,4 bilhões (cerca de R$ 45,36 bilhões). A compra foi concluída após um longo processo regulatório viabilizado pelo apoio do governo Trump.

Durante boa parte das negociações, acreditava-se que os Ellisons eram os favoritos para adquirir a Warner Bros, já que Larry Ellison possui uma fortuna estimada em US$ 269 bilhões (aproximadamente R$ 1,45 trilhão) e demonstrava interesse tanto nos ativos de crescimento da Warner quanto nos canais de TV linear em declínio.

Mesmo após apresentar cinco ofertas em dinheiro, com lances que chegaram a quase US$ 30 por ação (cerca de R$ 162), a Warner Bros. escolheu a proposta da Netflix, que ofereceu US$ 27,75 por ação (cerca de R$ 150) apenas pelo estúdio e pelo serviço de streaming. A oferta total avaliou a gigante da mídia em US$ 82,7 bilhões, algo próximo de R$ 446,5 bilhões, ou US$ 72 bilhões (cerca de R$ 388,8 bilhões) ao considerar a dívida.

Se levada adiante, a fusão entre as duas empresas só poderá ocorrer no terceiro trimestre de 2026, quando a Warner Bros. espera concluir a separação de seus canais a cabo, incluindo CNN, TBS e TNT.

Processo pode ser longo

O histórico recente do setor de mídia indica que este acordo deve ser apenas o começo de um processo longo, repleto de obstáculos regulatórios e riscos comerciais. Como disse um executivo de Hollywood à Forbes, “a Netflix pode estar prestes a sair de uma guerra de lances e entrar em uma briga de socos”.

Antes mesmo do anúncio do acordo com a Netflix, Ellison já havia sinalizado sua intenção de continuar na disputa. Uma carta enviada pelos advogados da Paramount na quinta-feira (5) ao CEO da Warner Bros., David Zaslav, sugeria que a empresa poderia usar sua proximidade com o presidente para dificultar a aprovação regulatória, apoiar um processo antitruste ou lançar uma oferta hostil diretamente aos acionistas. Fontes próximas afirmam que esta última alternativa é real, embora muito mais cara do que a oferta atual da Netflix.

A carta questionava a “justiça e precisão” do processo e afirmava que os acordos com a Netflix ou a Comcast estariam “fadados ao fracasso” devido a sérias preocupações antitruste.

Segundo trechos divulgados por veículos americanos, a Paramount escreveu que “um acordo com a Netflix provavelmente nunca será fechado”, ignorando seus próprios potenciais entraves regulatórios. “A Netflix é a única grande empresa de tecnologia que ainda não enfrentou sanções antitruste globais, mas a tentativa de adquirir os ativos da WBD mudará isso”, dizia o texto.

Governo Trump entra no jogo

Reportagem do New York Post afirmou que funcionários da Casa Branca já se reuniram com representantes do governo, incluindo o presidente Trump, para expressar oposição à possível compra pela Netflix. Na quarta-feira (4), David Ellison viajou a Washington D.C. para encontros com membros do governo e parlamentares em busca de apoio. Trump, por sua vez, já se referiu publicamente aos Ellisons como “ótimos caras” e “amigos”.

Embora o governo Trump não tenha poder para bloquear unilateralmente o acordo, já que a decisão cabe à Comissão Federal de Comércio (FTC), o presidente ainda poderia influenciar o processo de forma direta ou indireta, como fez recentemente em sua briga com Jimmy Kimmel.

Uma ação antitruste do Departamento de Justiça poderia atrasar a aquisição da Warner Bros. e criar argumentos sólidos para inviabilizar o negócio, especialmente considerando que a Netflix lidera o mercado global de streaming com 300 milhões de assinantes, enquanto o HBO Max ocupa a quarta colocação, com 128 milhões.

“A operação parece um pesadelo antimonopolista”, afirmou a senadora Elizabeth Warren em comunicado na sexta-feira.

A Netflix deve argumentar que seu principal concorrente no vídeo digital é o YouTube, que concentra 12,9 por cento da audiência mensal de TV, segundo a Nielsen, contra 8 por cento da Netflix e 1,3 por cento do HBO Max. No entanto, o YouTube não compete no mercado de conteúdo premium nem na produção de filmes e séries, cujos criadores passaram a sexta-feira expressando oposição ao acordo.

Um comunicado do Sindicato dos Roteiristas da América afirmou que a fusão “deve ser bloqueada”. A posição foi ecoada, com menos contundência, por outros sindicatos de Hollywood, que citaram riscos de perda de empregos e queda na demanda por conteúdo. A consultoria Morningstar avalia a aprovação regulatória como uma disputa equilibrada, estimando chances de “50/50”. O relatório afirma ainda que a Paramount “ainda pode estar à espreita”, embora seu caminho esteja agora mais caro e complexo.

Os Ellisons têm recursos para uma longa batalha. A compra da Paramount pela Skydance ficou paralisada por mais de um ano na FCC, com o presidente Brendan Carr indicando que a demora tinha motivação política. Outros interessados, como a Apollo Global Management, pressionaram durante todo o processo, mas após medidas vistas como concessões ao governo, incluindo um acordo judicial de US$ 16 milhões (R$ 86,4 milhões) e o cancelamento do programa The Late Show with Stephen Colbert, Ellison venceu. Nas últimas semanas, a Paramount Skydance aprovou Rush Hour 4, supostamente a pedido de Trump, enquanto negociava com a Warner Bros.

Mesmo que a Paramount tivesse vencido a disputa, haveria questionamentos sobre a consolidação do setor. A empresa já demitiu cerca de 2.000 funcionários desde a fusão com a Skydance, e a união com outro grande estúdio reduziria a concorrência por projetos de cinema e televisão. No entanto, a junção dos serviços de streaming geraria menos preocupações antitruste, já que o Paramount+ tem 79 milhões de assinantes e presença internacional limitada.

Se o acordo com a Warner Bros. se arrastar, especialmente em um cenário de rápidas transformações tecnológicas impulsionadas pela inteligência artificial, a história mostra que isso pode ser devastador para o futuro da empresa. Quando a Warner Bros. aceitou se fundir com a AT&T em 2016, o Departamento de Justiça bloqueou a operação até 2018. A demora fez a empresa perder terreno no lançamento de seu serviço de streaming. Quatro anos depois, ela foi separada da AT&T e novamente fundida em 2022, sobrecarregada por dívidas que levaram ao atual leilão.

Caso o acordo com a Netflix não seja aprovado, a empresa concordou em pagar uma multa de US$ 5,8 bilhões, cerca de R$ 31,3 bilhões, à Warner Bros. Discovery. Mesmo assim, a gigante do streaming, que possui ampla capacidade financeira, afirmou em teleconferência com investidores nesta manhã que não teme a batalha regulatória que se aproxima. “Vamos trabalhar em estreita colaboração com todos os órgãos competentes”, disse Ted Sarandos, co-CEO da Netflix. “Estamos confiantes de que obteremos todas as aprovações necessárias.”

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