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A Magnum Ice Cream Company abriu seu capital na segunda-feira (8) com uma avaliação de cerca de 7,8 bilhões de euros (US$ 9,1 bilhões/R$ 49,5 bilhões), abaixo das expectativas dos analistas, com alguns investidores incertos sobre a capacidade de seu produto, rico em açúcar, de ter sucesso em um mercado onde os consumidores estão cada vez mais preocupados com a saúde.
A empresa, agora a maior fabricante independente de sorvetes do mundo, viu sua estreia em Amsterdã ser prejudicada pela saída de fundos de índice após a tão esperada separação da controladora Unilever.
As ações permaneceram praticamente estáveis em torno de 12,8 euros (R$ 80,9) por ação. A inclusão da Magnum na lista de empresas regulamentadas é um teste de sua capacidade de atrair consumidores para lanches indulgentes, como seus cones Cornetto e sorvetes Ben & Jerry’s, em um momento em que os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1 têm impactado as tendências de consumo e o governo Trump está impulsionando a campanha “Make America Healthy Again” nos Estados Unidos.
“A percepção é de que as pessoas estão se concentrando em estilos de vida mais saudáveis”, disse Jack Martin, diretor de investimentos da Oberon Investments, acionista da Unilever, à Reuters. “Existem obstáculos regulatórios contra alimentos não saudáveis devido ao ônus que impõem aos sistemas de saúde, e os GLP-1s são um obstáculo potencial.”
Desafios para as ações da Magnum
As ações da Magnum se recuperaram ligeiramente de uma abertura fraca, fechando um pouco acima do preço de referência definido na sexta-feira, que avaliava a empresa em aproximadamente oito vezes o seu Ebitda ajustado esperado para 2025, de acordo com a empresa de pesquisa Morningstar.
Antes da publicação do prospecto da Magnum, os analistas do Barclays previram que a empresa atingiria um valor de mercado entre 10,1 bilhões e 10,8 bilhões de euros (entre R$ 63,8 bilhões a R$ 68,2 bilhões), e um preço por ação acima de 20 euros (R$ 126,4) .
A Froneri, concorrente da Magnum, é uma joint venture entre a PAI Partners e a Nestlé. Em outubro, a Magnum garantiu um investimento que avaliou a empresa em 15 bilhões de euros (R$ 94,8 bilhões) A Magnum afirma deter cerca de 21% do mercado global de sorvetes, avaliado em US$ 87 bilhões (R$ 473,3 bilhões), à frente dos 11% da Froneri.
A demanda limitada pode ter afetado o preço de referência, afirmou o banco de investimentos Degroof Petercam em nota, enquanto os custos substanciais de separação da Unilever e o fato de não haver dividendos em 2026 podem estar adicionando pressão no curto prazo. A Degroof Petercam calculou que o índice EV/EBITDA da Magnum — uma métrica de avaliação fundamental — de 8x implica um desconto de 41% em relação a concorrentes como Nestlé, Hershey e Mondelez, que são negociados a uma média de 13,6x.
“Acredito que, ao fixar o preço de referência baixo, eles tornaram as ações atraentes para novos investidores”, disse Fernand de Boer, da Degroof Petercam, acrescentando que isso provavelmente ajudou a evitar uma queda no preço das ações na estreia.
A gestão tem ‘trabalho a fazer’, enquanto o CEO promete mais agilidade
A Unilever está se desfazendo de uma unidade de negócios cuja cadeia de frio exige operações mais complexas do que suas outras marcas de alimentos e produtos de higiene pessoal, como o sabonete Dove e o desodorante Axe.
O CEO da Magnum, Peter ter Kulve, que empunhou uma réplica de um sorvete Magnum do tamanho de uma raquete de tênis na cerimônia de toque do sino na segunda-feira, disse que a empresa seria “mais ágil, mais focada e mais ambiciosa do que nunca” como uma empresa independente listada na bolsa de valores.
Há esperança de que a Magnum, com uma marca forte e uma posição consolidada no mercado, possa ter um desempenho melhor fora da Unilever, afirmou Chris Beckett, analista de bens de consumo essenciais da Quilter Cheviot, embora um produto com alto teor de açúcar e que muitas vezes depende das condições climáticas para as vendas signifique uma composição de vendas mais volátil do que a de alguns concorrentes.
“Haverá alguma venda natural antes de vermos uma base de acionistas mais estável, já que todos que agora possuem ações da Magnum não tiveram escolha, por serem acionistas da Unilever”, disse Beckett.
“Por enquanto, é uma história que precisa ser comprovada, e a equipe de gestão terá muito trabalho pela frente.”
Os investidores receberam automaticamente uma ação da Magnum para cada cinco ações da Unilever que possuíam. A Magnum havia alertado que suas ações poderiam sofrer pressão de baixa no início do pregão, visto que não são imediatamente elegíveis para inclusão em índices importantes como o FTSE.
As ações da Unilever, que manterá uma participação de 19,9% na empresa, mas planeja sair dela em cinco anos, caíram 0,5%.
Entre outros desafios, a Magnum herdará uma relação espinhosa com a Ben & Jerry’s. A fabricante de sorvetes fundada em Vermont entrou em conflito repetidamente com a controladora Unilever nos últimos anos devido a posicionamentos políticos e éticos, particularmente em relação à guerra de Israel em Gaza.
A Magnum afirmou na semana passada que a Fundação Ben & Jerry’s, um grupo beneficente com sede nos EUA e financiado pela marca, precisa corrigir deficiências nos controles financeiros e na governança para manter o financiamento integral.
O faturamento anual da Ben & Jerry’s, de 1,1 bilhão de euros (R$ 6,95 bilhões), representa quase 14% do faturamento global da Magnum, em comparação com apenas 1,8% da Unilever.
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