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Os Estados Unidos confirmaram, na manhã deste sábado (3), a realização de um ataque em larga escala contra a Venezuela, culminando na captura de Nicolás Maduro. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a operação após meses de escalada nas tensões diplomáticas, baseadas em acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade eleitoral contra o líder venezuelano.
A operação militar desencadeou uma série de reações imediatas ao redor do globo.
As reações internacionais
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou a operação como uma violação da soberania regional em post no X. “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, afirmou Lula. Ele concluiu afirmando que “a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina” e cobrou uma resposta vigorosa da ONU.
Em Moscou, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou o que chamou de “ato de agressão armada”. Em comunicado, o Kremlin afirmou que “os pretextos usados para justificar tais ações são infundados” e que “a animosidade ideológica prevaleceu sobre o pragmatismo empresarial”.
A Rússia alertou para os riscos de segurança global: “Na situação atual, é importante, antes de tudo, evitar uma nova escalada e focar em encontrar uma saída para a situação através do diálogo”. Moscou também apoiou o pedido de reunião imediata do Conselho de Segurança da ONU.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que ação dos EUA na Venezuela violou o direito internacional. “A China está profundamente chocada e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país”. O país diz se opor “firmemente ao comportamento hegemônico dos EUA”, que “ameaça a paz e a segurança na América Latina e no Caribe”.
“Pedimos que os EUA respeitem o direito internacional e os propósitos e princípios da Carta da ONU e parem de violar a soberania e a segurança de outros países, finalizou a nota.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, está profundamente alarmado com a ação dos Estados Unidos na Venezuela, que estabelece “um precedente perigoso”, disse seu porta-voz em um comunicado neste sábado.
“O secretário-geral continua a enfatizar a importância do respeito total – por todos – ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU. Ele está profundamente preocupado com o fato de as regras do direito internacional não terem sido respeitadas”, disse o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o ataque “como uma violação flagrante de sua soberania nacional e integridade territorial”. A manifestação foi feita em um comunicado divulgado na internet. Aliado da Venezuela, o país pediu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que “aja imediatamente para interromper a agressão ilegal” e responsabilize os culpados.
Em contrapartida, o presidente da Argentina, Javier Milei, aliado regional de Donald Trump, celebrou abertamente a intervenção militar.
“A liberdade avança”, escreveu Milei na plataforma X. O presidente argentino compartilhou um vídeo onde descreve Maduro como uma ameaça regional e endossa a pressão de Washington, afirmando que “o tempo para ter uma abordagem tímida sobre este assunto passou”.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, seguiu a mesma linha, dirigindo-se à oposição venezuelana: “A hora está chegando para todos os criminosos narco-chavistas. A estrutura deles finalmente colapsará em todo o continente”.
A Ucrânia também se posicionou contra o governo deposto. O Ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, afirmou que “o regime de Maduro violou todos esses princípios [de direitos humanos] em todos os aspectos”.
Reações na América Latina
A maioria dos governos latino-americanos expressou preocupação com a quebra da tradição pacífica na região e o desrespeito ao direito internacional.
- México: O governo mexicano condenou “energicamente” as ações militares, citando uma “clara violação do Artigo 2 da Carta das Nações Unidas”. O país reiterou que “o diálogo e a negociação são os únicos meios legítimos e eficazes de resolver as diferenças existentes”.
- Chile: O presidente Gabriel Boric manifestou condenação às ações militares: “O Chile reafirma seu compromisso com os princípios básicos do direito internacional, como a proibição do uso da força, a não intervenção e a integridade territorial dos Estados”. Boric pediu uma solução pacífica para a crise.
- Colômbia: O presidente Gustavo Petro rejeitou a unilateralidade do ato. “O Governo da Colômbia rejeita qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar a população civil em risco”, afirmou, citando “profunda preocupação” com os relatos de explosões.
- Uruguai: O governo uruguaio reafirmou sua rejeição histórica a intervenções: “O Uruguai rejeita, como sempre fez, a intervenção militar de um país no território de outro”, disse comunicado do Ministério de Relações Exteriores do país.
Posicionamento da Europa e Reino Unido
As lideranças europeias adotaram cautela. Kaja Kallas, Alta Representante para Assuntos Exteriores da União Europeia, afirmou estar monitorando a situação e pediu moderação. “A UE afirmou repetidamente que o Sr. Maduro carece de legitimidade […]. Sob todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados”.
O Primeiro-Ministro do Reino Unido Keir Starmer evitou endossar a ação imediatamente: “Quero estabelecer os fatos primeiro. Quero falar com o Presidente Trump […] Posso ser absolutamente claro de que não estivemos envolvidos”.
O Ministério das Relações Exteriores da Espanha pediu “desescalada e moderação”, oferecendo-se para mediar uma solução pacífica e negociada.
Giuseppe Conte, líder da oposição e ex-premiê da Itália, condenou a “agressão americana” por não ter base legal. Na Alemanha, Roderich Kiesewetter, deputado conservador, criticou a postura de Trump: “Com o Presidente Trump, os EUA estão abandonando a ordem baseada em regras que nos moldou desde 1945”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que o líder da oposição venezuelana Edmundo González deve ajudar a supervisionar a mudança de poder na Venezuela.
“A transição que está por vir deve ser pacífica, democrática e respeitar a vontade do povo venezuelano. Esperamos que o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, seja capaz de garantir essa transição o mais rápido possível”, escreveu Macron no X.
O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, disse que a avaliação jurídica da operação “levará tempo” , acrescentando que os princípios do direito internacional devem ser aplicados.
Merz pediu que “uma transição para um governo legitimado por eleições deve ser garantida” e advertiu que “a instabilidade política não deve surgir na Venezuela”.
A Espanha não reconhecerá uma intervenção dos EUA que viole o direito internacional, disse o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
“A Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas tampouco reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, escreveu Sánchez no X.
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