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As Guerras do Petróleo: 13 Intervenções dos EUA para Proteger o Poder do Dólar

Por Equipe Wealthpause / janeiro 5, 2026

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.

A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela recoloca o petróleo no centro do debate sobre política externa e segurança econômica.

A partir dos anos 1970, com o fim do padrão-ouro, a organização do mercado global de petróleo passou a se conectar de forma direta ao papel do dólar como principal moeda de reserva. Negociada majoritariamente em dólares, a energia tornou-se um fator relevante na estabilidade financeira internacional, influenciando fluxos comerciais, reservas cambiais e mecanismos de financiamento público.

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Nesse contexto, intervenções militares, operações de segurança e sanções econômicas lideradas pelos Estados Unidos frequentemente coincidiram com disputas envolvendo países produtores. A lista a seguir reúne 13 episódios em que o petróleo esteve presente na equação estratégica americana, ainda que ausente do discurso oficial.

1. Segunda Guerra Mundial: O Embargo ao Japão, em 1941

Um dos estopins para o ataque a Pearl Harbor foi o embargo total de petróleo imposto pelos EUA ao Japão. O Japão dependia 80% do petróleo americano; ao ter o suprimento cortado, o império japonês decidiu atacar para capturar campos de petróleo nas Índias Orientais Holandesas.

2. Apoio à Arábia Saudita e o Acordo de Quincy (1945)

No fim da 2ª Guerra, o presidente Franklin Roosevelt selou um pacto com o Rei Ibn Saud: os EUA forneceriam proteção militar perpétua à monarquia saudita em troca de acesso preferencial ao petróleo. Esse acordo é a base de quase todas as intervenções dos EUA no Oriente Médio desde então.

3. Intervenção na Guatemala – Operação PBSuccess, em 1954

Embora frequentemente associado à United Fruit Company (bananas), o petróleo foi um fator determinante. O governo de Jacobo Árbenz aprovou leis de petróleo que prejudicavam empresas americanas. Os EUA queriam garantir que as leis de concessão fossem favoráveis às empresas, como a Ohio Oil Company, antes que o nacionalismo de Árbenz se consolidasse.

4. Intervenção de Estado no Irã – Operação Ajax, em 1953

Após o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh nacionalizar a indústria petrolífera (controlada pelos britânicos), a CIA e o MI6, os serviços de inteligência externa de EUA e Reino Unido, orquestraram derrubar o governo local. O objetivo era garantir que o petróleo iraniano permanecesse acessível às empresas ocidentais e sob influência aliada.

5. Crise do Suez, em 1956

Embora não tenha sido uma guerra declarada pelos EUA, a intervenção militar franco-britânica no Canal de Suez foi contestada pelos EUA, que se opuseram para manter o fluxo do petróleo do Oriente Médio livre para o Ocidente. A questão do canal era estratégica para o transporte de petróleo.

6. Apoio ao Golpe de Suharto na Indonésia, em 1965-1967

A transição de poder do nacionalista Sukarno para o general ditador Suharto foi um dos episódios mais sangrentos do século 20, com apoio da CIA. Sukarno estava pressionando as petroleiras americanas (Caltex e Stanvac) a renegociar contratos e ameaçava com a nacionalização. Após o expurgo dos comunistas e a ascensão de Suharto, as portas da Indonésia foram abertas para o capital estrangeiro, e o país tornou-se um dos pilares de suprimento de petróleo para os aliados dos EUA durante a Guerra do Vietnã.

7. Conflito Civil na Nigéria – Conflito de Biafra, em 1967-1970

A Nigéria é o maior produtor de petróleo da África. Quando a região de Biafra tentou se separar, iniciou-se uma guerra civil brutal. Os EUA declararam neutralidade oficial, mas houve um intenso jogo de bastidores para garantir que as reservas de petróleo da região do Delta do Níger permanecessem acessíveis.

8. Operação Earnest Will, em 1987-1988

Durante a guerra Irã-Iraque, os EUA intervieram diretamente no Golfo Pérsico para escoltar petroleiros do Kuwait contra ataques iranianos. Foi a maior operação naval americana desde a 2ª Guerra Mundial para, exclusivamente, proteger o fornecimento de energia. Ela foi um desdobramento da Doutrina Carter e a Segurança do Estreito de Ormuz de 1980, quando o presidente Jimmy Carter declarou que qualquer tentativa de uma força externa de ganhar o controle do Golfo Pérsico seria vista como um ataque aos interesses vitais dos EUA.

9. Conflito do Golfo – Operação Desert Storm, em 1990-1991

Quando Saddam Hussein invadiu o Kuwait, ele passou a controlar cerca de 20% das reservas mundiais. A intervenção liderada pelos EUA visava libertar o Kuwait e também impedir que o Iraque avançasse sobre a Arábia Saudita, o que daria a Saddam o controle sobre o preço global do barril.

10. Sanções e Pressão na Venezuela, intensificadas a partir de 2000

A Venezuela possui a maior reserva provada de petróleo do mundo. Os EUA mantêm um histórico de apoio a tentativas de derrubada do governo local (como em 2002) e sanções econômicas severas (era Trump/Biden), com o objetivo de remover governos nacionalistas que restringem o acesso de empresas americanas ao petróleo venezuelano.

11. Segundo Conflito do Golfo – Invasão do Iraque, em 2003

Embora a justificativa oficial fosse a busca por Armas de Destruição em Massa (nunca encontradas), historiadores e ex-oficiais (como Alan Greenspan) admitem que o petróleo era um fator central. O objetivo estratégico era remover um regime hostil em uma região que detém as maiores reservas do mundo.

12. Intervenção na Líbia, em 2011

A intervenção militar estadunidense no Líbano ocorreu num contexto de tensões regionais em torno do controle do petróleo e da influência no Oriente Médio. A queda de Muammar Gaddafi envolveu o apoio dos EUA e da OTAN a rebeldes. A Líbia possui as maiores reservas de petróleo da África. E-mails da ex-secretária de Estado Hillary Clinton sugerem preocupações com os planos de Gaddafi de criar uma moeda lastreada em ouro que poderia ameaçar a hegemonia do petrodólar.

13. Intervenção na Síria, de 2019 até o presente

Em 2019, o então presidente Donald Trump declarou abertamente: “Mantivemos o petróleo. Estamos protegendo o petróleo”. Tropas americanas continuam estacionadas em áreas estratégicas do nordeste da Síria, onde se localizam os principais campos de petróleo do país, para evitar que o governo sírio ou a Rússia os recuperem.

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