Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024. O Ibovespa caiu 0,84%, aos 183.133 pontos. Lá fora, o volume dos gastos das empresas de tecnologia com IA pressionou os índices.
No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países.
O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros”, disse o BC em comunicado. “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.”
O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.
Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes.
Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil — com destaque para a bolsa — vem pesando sobre as cotações do dólar.
A escalada rápida do dólar ante o real esteve em sintonia com uma piora generalizada dos mercados globais após a abertura da bolsa de Nova York, onde os índices foram penalizados pelo mergulho das ações de tecnologia. Também penalizado por Wall Street, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%.
Durante a tarde, o dólar voltou a perder força ante as divisas emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 — ainda que o Ibovespa seguisse pressionado.
Com o movimento desta quinta-feira, o dólar acumula queda de 5,37% ante o real em 2026.