Com quase 70 mil transações e mais de US$ 7,2 bilhões movimentados, o mercado imobiliário de Buenos Aires encerrou 2025 com seu melhor desempenho em duas décadas. O avanço foi impulsionado principalmente pelo crédito hipotecário, embora o setor já sinalize desafios importantes para sustentar esse ritmo nos próximos anos.
Ao longo de 2025, foram vendidos 69.461 imóveis na cidade, segundo dados da Associação de Notários de Buenos Aires. O número representa um crescimento de 27% em relação a 2024 e marca o melhor resultado desde 2005.
Em termos financeiros, o desempenho também foi expressivo. O volume total negociado chegou a US$ 7,26 bilhões, quase o dobro do registrado no ano anterior. O valor médio por transação foi de aproximadamente US$ 105 mil, alta de 50% na comparação anual.
“O ano que acabamos de concluir foi o quinto melhor entre 27 medições, então devemos estar satisfeitos com esse resultado”, afirmou Magdalena Tato, presidente do Colégio de Notários. Com isso, 2025 entra para o ranking dos cinco melhores anos da série histórica iniciada em 1998.
O principal motor desse crescimento foi a expansão do crédito imobiliário. Ainda assim, o setor já observa sinais de desaceleração. “Nos últimos dois meses houve uma retração nos empréstimos, e ficamos muito próximos de bater o recorde de hipotecas desde que começamos a medi-las, em 2009. Isso indica que, com uma retomada mais consistente do crédito, ainda há espaço para continuar crescendo, já que o financiamento imobiliário é um mecanismo virtuoso que multiplica o mercado”, explicou a especialista.
Segundo os dados mais recentes da instituição, em dezembro foram formalizadas 888 escrituras de hipoteca, uma queda de 21,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, no entanto, foram registradas 13.953 operações de hipoteca, um avanço expressivo de 179,4%.
Para 2026, o grande desafio será transformar a recuperação em um ciclo sustentável. “O principal desafio é garantir um retorno efetivo do crédito imobiliário, com condições que funcionem no dia a dia: pontuações alcançáveis, prazos razoáveis e taxas que uma família consiga pagar sem transformar a prestação em uma aposta”, avaliou Mariano García Malbrán, presidente da Câmara das Empresas de Serviços Imobiliários.
“Sem crédito, há consultas; com crédito, há negócios fechados. O financiamento imobiliário é a ponte entre o desejo e a compra efetiva. Seu retorno gradual é a variável mais importante para expandir o mercado, acelerar a absorção e aprofundar a recuperação, desde que a macroeconomia permaneça estável e as taxas de juros não sejam sufocantes”, acrescentou.
Desafios estruturais
Apesar do otimismo, especialistas alertam para entraves estruturais. Atualmente, o crédito imobiliário na Argentina representa apenas 1,5% do PIB, muito abaixo da média regional de 25%. A continuidade do crescimento dependerá da estabilização da inflação, da recuperação dos salários reais e da capacidade dos bancos de oferecer financiamento de longo prazo.
As projeções indicam um mercado em transição em 2026, menos volátil do que em 2025, porém mais sólido. A expectativa é de queda gradual das taxas de juros no segundo semestre, o que pode reforçar a retomada, desde que as condições macroeconômicas se mantenham favoráveis.