O mercado imobiliário belga vive um verdadeiro boom, com um cenário de contrastes. Enquanto a construção civil e o setor de reformas enfrentam turbulências, o mercado de imóveis segue em plena ascensão na Bélgica.
Os números impressionam. A média nacional de transações cresceu 14,2%, com destaque para a Valônia (+16,7%) e a Flandres (+14,1%), regiões que puxaram o ritmo acelerado e transformaram 2025 em um ano histórico, segundo os tabeliães. Já o setor da construção passa por um momento delicado.
No último ano, foram registradas perdas de 2.500 empregos no setor e um número recorde de falências, de acordo com a Embuild, a federação da construção. Entre os principais fatores estão o aumento dos custos das obras e os longos e complexos processos de licenciamento.
Apesar disso, comprar um imóvel ficou mais acessível em 2025, especialmente graças à reforma das taxas de registro na Valônia, que reduziu a alíquota para 3% na compra da resiadência principal.
Nas áreas urbanas, o perfil dos compradores mudou: cada vez mais jovens estão entrando no mercado. A proporção de pessoas entre 18 e 35 anos chegou a 41% nas compras de apartamentos, contra 35% em 2021. No caso das casas, essa faixa etária representou 49% das transações em 2025.
O acesso à casa própria, sobretudo para quem compra pela primeira vez, tornou-se mais viável. Segundo a Fednot, federação dos notários, o crescimento das transações também está ligado às incertezas econômicas que cercam outros tipos de investimento, tornando o mercado imobiliário uma opção mais segura. O avanço foi generalizado:
- +14,2% no país (após queda de 0,7% em 2024);
- +16,7% na Valônia;
- +14,1% na Flandres;
- +7,1% em Bruxelas
Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado foi de 11%, o que mostra o peso de 2025 na retomada do setor. Vale lembrar que as vendas haviam recuado 15,2% entre 2022 e 2023. Ao longo de 2025, o mercado manteve ritmo forte em todos os trimestres, com maior impulso no primeiro semestre.
Os preços acompanharam esse aquecimento. As casas alcançaram valor médio de € 348.800 (cerca de R$ 2,2 milhões) em 2025, alta de 5,8% em relação aos € 329.743 (aproximadamente R$ 2,1 milhões) de 2024.
A Federação de Notários destaca que a maior pressão nos preços ocorre em imóveis novos ou reformados, com melhor eficiência energética. Já os imóveis mais antigos vêm perdendo valor devido às exigências ambientais.
Bruxelas segue como a região mais cara para compra de casas, com preço médio de € 582.930 (em torno de R$ 3,7 milhões), aumento de 2,2% em relação ao ano anterior. A Flandres aparece na sequência, com média de € 380.655 (cerca de R$ 2,4 milhões), crescimento de 3,6%. Já a Valônia registrou o maior salto, passando de € 238.691 (aproximadamente R$ 1,5 milhão) em 2024 para € 270.790 (em torno de R$ 1,7 milhão) em 2025, impulsionada pela redução das taxas de registro.
No mercado de apartamentos, os aumentos foram mais moderados:
- Média nacional: € 277.927 (cerca de R$ 1,8 milhão);
- Bruxelas: € 298.874 (aproximadamente R$ 1,9 milhão);
- Flandres: € 289.157 (em torno de R$ 1,8 milhão).
A Valônia continua sendo a região mais acessível para apartamentos, com preço médio de € 209.342 (cerca de R$ 1,3 milhão), mesmo após alta de 5,4%.
Matéria originalmente publicada na Forbes Bélgica