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A África está prestes a receber sua primeira fábrica de inteligência artificial (IA), liderada pela Cassava Technologies, empresa do bilionário das telecomunicações Strive Masiyiwa, em parceria com a gigante americana de tecnologia Nvidia. Segundo reportagens, os processadores gráficos (GPUs) começarão a ser instalados ainda neste mês na África do Sul, o primeiro país a receber o projeto.
A Nvidia é comandada por Jensen Huang, o décimo homem mais rico do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 137,4 bilhões (R$ 765,1 bilhões), de acordo com o ranking em tempo real da Forbes.
O acesso limitado a ferramentas modernas tem dificultado o avanço da inteligência artificial no continente africano — um desafio que a fábrica de IA idealizada por Masiyiwa busca enfrentar. “Colaborar com a Nvidia nos proporciona a capacidade computacional avançada necessária para impulsionar a inovação em IA na África, ao mesmo tempo em que reforçamos a independência digital do continente”, afirmou Masiyiwa em um comunicado à imprensa.
Projeto será expandido
Segundo informações, a Nvidia vai implementar milhares de GPUs, que alimentam seus supercomputadores de alto desempenho, e integrar seu software de inteligência artificial por meio das arquiteturas de referência do programa NVIDIA Cloud Partner.
O presidente da Cassava, Hardy Pemhiwa, revelou que 3 mil GPUs da big tech americana foram instaladas na unidade da empresa na África do Sul em junho e outras 9 mil serão distribuídas ao longo dos próximos quatro anos em países como Quênia, Nigéria, Marrocos e Egito. De acordo com a Bloomberg, Masiyiwa está disposto a investir até US$ 720 milhões (R$ 4,01 bilhões) no projeto.
Grande potencial
“O futuro vem dos jovens que estão criando aplicativos e soluções. São pequenas empresas espalhadas por todo o continente, que usam inteligência artificial no dia a dia”, disse Masiyiwa durante o Global AI Summit on Africa 2025, realizado em Kigali, em abril, onde atuou como copresidente. “Eles são nativos digitais — e nós apenas demos a eles a capacidade de fazerem o que sabem fazer de melhor.”
A África tem uma oportunidade inédita de se tornar uma líder global em tecnologia, com abundância de recursos e investimentos internacionais, além de ser maior e mais jovem mercado inexplorado do mundo.
Cerca de 600 milhões de africanos ainda não têm acesso confiável à eletricidade, um número que especialistas acreditam que diminuirá graças ao avanço das fontes de energia renovável e à crescente oferta de internet móvel no continente, com serviços como o Starlink.
Startups de fintech e inteligência artificial são abundantes de Nairóbi (QUE) a Acra (GAN), mas a infraestrutura tecnológica limitada e os baixos índices de alfabetização digital ainda freiam o potencial já reconhecido do continente para liderar a revolução da IA.
O relatório The Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, identificou um grave déficit de qualificação na África: mais de 60% das empresas acreditam que essa é uma das maiores barreiras para a transformação dos negócios até 2030.
Agora, novas tecnologias de ponta começam a chegar ao continente. As fábricas de IA com tecnologia da Nvidia prometem acelerar o desenvolvimento da inteligência artificial por meio de um ecossistema otimizado, que apoia desde a criação de algoritmos e testes de modelos até a gestão de fluxos de dados.
Ao funcionar como uma incubadora de startups — mas em larga escala e totalmente online —, a fábrica de inteligência artificial foi projetada para incentivar a inovação e acelerar o desenvolvimento desse tipo de tecnologia na África. A proposta é conectar empresas locais, governos e pesquisadores a uma infraestrutura de alto desempenho, sem que precisem arcar com o custo elevado do investimento em hardware — algumas GPUs produzidas pela Nvidia custam milhares de dólares.
“Construir infraestrutura digital para a economia da IA é prioridade se a África quiser aproveitar ao máximo a quarta revolução industrial”, acrescentou Masiyiwa em seu comunicado.
“Nossa fábrica de IA oferece a base para que essa inovação ganhe escala, dando às empresas africanas, startups e pesquisadores acesso à infraestrutura mais avançada desta tecnologia, para que transformem suas ideias ousadas em soluções reais — e agora eles não precisam mais olhar para fora da África para conseguir isso.”
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