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Jared Kushner, marido de Ivanka Trump e genro do presidente americano, Donald Trump, acaba de entrar no clube dos bilionários. A ascensão se explica: uma combinação entre alguns bons investimentos, a valorização de imóveis no sul da Flórida e os novos financiamentos de seus apoiadores do Oriente Médio. Não por acaso, o maior ganho de Kushner em private equity até agora é um negócio israelense, no qual ele tenta investir há mais de uma década.
A Forbes estima sua fortuna em pouco mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões), acima de US$ 900 milhões (R$ 4,77 bilhões) registrados há um ano. Ele entra para a lista de bilionários ao lado do irmão Josh (US$ 5,2 bilhões/R$ 27,56 bilhões) e do sogro, o presidente dos EUA, Donald Trump (US$ 7,3 bilhões / R$ 38,69 bilhões). Mas, em vez de seguir Josh, cuja firma de venture capital foca principalmente em tecnologia, ou Trump, que hoje obtém a maior parte de sua renda em apostas em cripto, Kushner seguiu um caminho próprio.
Em 2014, aos 33 anos, ele era CEO da Kushner Companies, empresa imobiliária de Nova York fundada por seu pai e avô. Em busca de novos investimentos, ele mirou na Phoenix, uma empresa israelense de seguros e serviços financeiros. Kushner fechou um acordo preliminar para comprar 47% da empresa, viabilizado em parte por um empréstimo do vendedor. Por um tempo, tudo parecia promissor, mas barreiras regulatórias logo se mostraram difíceis demais, e a negociação não avançou.
Dez anos depois, ele teve uma segunda chance. Através da Affinity Partners, empresa de private equity que fundou no início de 2021, Kushner investiu, desde julho de 2024, cerca de US$ 250 milhões (R$ 1,325 bilhão) para adquirir quase 10% da Phoenix, uma das maiores apostas da Affinity até hoje. Agora, com 44 anos, ele afirma que foi “o melhor investimento” da empresa e que já obteve um retorno de mais de nove vezes o valor investido.
Entre apostas e talento para captação de recursos
Em 2017, Kushner deixou os negócios imobiliários da família para atuar na Casa Branca, como conselheiro sênior, durante o primeiro mandato de Trump. O cargo o levou ao Oriente Médio, onde ajudou a negociar os Acordos de Abraão, um conjunto de acordos entre Israel, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e outros países. Em janeiro de 2021, no mesmo mês em o mandato de Trump chegou ao fim, Kushner criou a Affinity Partners na cidade de Sunny Isles Beach, nos arredores de Miami. Até hoje, ele captou US$ 4,6 bilhões (R$ 24,38 bilhões), incluindo US$ 1,5 bilhão (R$ 7,95 bilhões) no ano passado de dois de seus primeiros apoiadores: o fundo soberano do Catar e a Lunate, de Abu Dhabi, uma gestora de investimentos que é parte do Royal Group, do sheik emirati Tahnoon.
Kushner detém 100% da Affinity, avaliada pela Forbes em US$ 215 milhões (R$ 1,14 bilhão), contra US$ 170 milhões (R$ 901 milhões) em outubro. Esse é seu segundo maior ativo, atrás de sua participação de 20% na Kushner Companies, avaliada em US$ 560 milhões (R$ 2,968 bilhões), contra US$ 580 milhões (R$ 3,074 bilhões) anteriormente.
Outra aposta de sucesso: a compra de uma casa na ilha de Indian Creek, na Flórida, conhecida como o “bunker dos bilionários”, onde também possuem propriedades Jeff Bezos e o emir do Catar. A residência, onde também vive sua esposa, foi comprada em 2020 por US$ 32 milhões (R$ 169,6 milhões). Agora vale pelo menos US$ 105 milhões (R$ 556,5 milhões) — um aumento de quase três vezes no valor. O restante da fortuna de Kushner está em dinheiro, obras de arte e outros investimentos pessoais. Aparentemente, ele caminha na direção contrário à de seus cunhados e do presidente ao não incluir produtos cripto.
Novato no private equity
Os investimentos de Kushner formam um portfólio diversificado, embora hoje esteja totalmente focado na Affinity, mas engana-se quem pensa que ele era um profundo conhecedor do mercado de ações. A área, na verdade, é nova para ele, já que sua experiência era totalmente focada em imóveis. Kushner começou investindo menos de US$ 500 milhões (R$ 2,65 bilhões) até 2023. Hoje, faz isso de forma mais acelerada. Em abril, a Affinity já havia alocado publicamente mais de US$ 2 bilhões (R$ 10,6 bilhões) e está projetando investir pelo menos US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) somente neste ano. A companhia administra US$ 4,8 bilhões (R$ 25,44 bilhões) em ativos, segundo sua última divulgação financeira, arquivada em março. Além disso, ela possui cerca de 25 investimentos — incluindo 22 empresas do portfólio — em pelo menos oito países, em setores que vão de tecnologia fitness a leasing de carros.
“Quando começamos, estávamos tentando encontrar nossa posição no mercado”, disse Kushner à Forbes. “Mas agora nos estabelecemos como parceiros de referência.”
Em agosto, a Affinity comprou 8% do banco digital britânico OakNorth por valor não divulgado. A empresa também está aproveitando o boom da inteligência artificial. Recentemente, apoiou a Universal AI, empresa de infraestrutura em inteligência artificial (IA), que captou US$ 10 milhões (R$ 53 milhões) de investidores de destaque, incluindo o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, e o investidor israelense Elad Gil. Na última quarta-feira (10), Kushner e Gil lançaram uma nova startup de IA em San Francisco, a Brain Co., que já captou US$ 30 milhões (R$ 159 milhões) da Affinity, Gil e outros investidores, como Brian Armstrong, da Coinbase, Reid Hoffman, do LinkedIn, e Patrick Collison, da Stripe.
De olho no futuro, a Affinity continua em busca de negócios. Kushner ainda planeja investir em uma empresa mexicana de infraestrutura não divulgada, movimento que foi atrasado pelas tarifas de Trump. Ele está pressionando para que a firma compre mais equipamentos americanos antes de se comprometer.
Quase cinco anos depois de criar a Affinity, Kushner ainda é um peixe pequeno no mundo do private equity. Apesar de algumas vitórias, é cedo para determinar o sucesso do portfólio da empresa em um setor que mede retornos ao longo de uma década. Mas isso não impediu investidores ricos do Oriente Médio de aplicarem mais dinheiro nos fundos. Se continuar assim, seu histórico de investimentos pode não impactar muito seu saldo final.
Os investimentos
A maioria dos investidores da Affinity veio por conexões que Kushner fez na Casa Branca. Ele oficialmente se afastou da política durante o segundo mandato de Trump, mas continua assessorando em alguns assuntos à distância — e ainda faz algumas aparições públicas com o presidente, como no US Open, no início de setembro. Os apoiadores da Affinity pagam cerca de US$ 60 milhões (R$ 318 milhões) por ano em taxas.
O sucesso do portfólio da firma será comprovado a longo prazo: enquanto o ciclo padrão de um fundo de private equity é de cerca de dez anos, o primeiro fundo da Affinity terá duração de 13 anos. Ainda assim, já há ganhos iniciais claros. Um deles é a QXO, empresa de distribuição de produtos de construção fundada por Brad Jacobs, que já criou oito empresas bilionárias. A Affinity investiu US$ 350 milhões (R$ 1,855 bilhão) entre julho de 2024 e abril deste ano, com um ganho de 98% desde o investimento inicial.
O banco digital londrino Revolut, cofundado por Nik Storonsky e Vlad Yatsenko, também tem potencial. A Affinity investiu em agosto de 2024, com avaliação de US$ 45 bilhões (R$ 238,5 bilhões). Recentemente, o banco lançou uma venda secundária de ações que avalia a empresa em US$ 75 bilhões (R$ 397,5 bilhões), o que representaria um retorno de 67% em pouco mais de um ano. E uma das primeiras empresas apoiadas por Kushner, a plataforma de classificados Dubizzle Group, de Dubai, estaria planejando abrir capital.
E há a Phoenix, uma das primeiras seguradoras israelenses a expandir para crédito privado e gestão de ativos. Kushner começou a considerar investir na empresa novamente em 2022, antes do ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desestabilizou a região. Na época, ele acreditava que o mercado estava subestimando a empresa, que estava sendo negociada como uma seguradora tradicional (normalmente precificada pelo valor contábil) em vez de pelo modelo de geração de taxas que havia se tornado (precificado pelo lucro).
A Affinity entrou na Phoenix em julho de 2024. “Na época, muitos tinham medo de investir em Israel por causa da incerteza gerada pela guerra”, disse Kushner. “Vimos a Phoenix como um ativo subestimado e dissemos: ‘vamos fazer uma grande aposta em Israel.’”
A Phoenix administra cerca de US$ 170 bilhões (R$ 901 bilhões) em ativos; Kushner a chama de “JP Morgan de Israel”. Desde então, o mercado acompanhou sua perspectiva. O preço das ações da Phoenix quase triplicou, mas Kushner multiplicou seus retornos usando alavancagem, o que significa que seu capital próprio agora vale mais de nove vezes o valor investido inicialmente.
Kushner não ocupa cargo oficial na Phoenix, mas mantém o que chama de “diálogo muito ativo com a empresa”. Ele se encontra com eles a cada poucas semanas — mais frequentemente do que os outros investidores — para discutir atualizações, tendências de mercado e ideias para se conectar com investidores e gestores de ativos.
“Ele é minoritário, mas um grande minoritário”, brinca o CEO Eyal Ben Simon. O vice-CEO David Alexander complementa: “temos muita experiência com fundos globais de private equity de primeira linha. Ele montou uma ótima equipe e capacidades, então parece que estamos lidando com um fundo de private equity líder, com insights profundos e boas perguntas.”
No entanto, nem todas as apostas de Kushner foram bem-sucedidas. A Mosaic, financiadora californiana de projetos solares residenciais apoiada pela Affinity em 2022, entrou com pedido de falência do capítulo 11 em junho. Seu projeto de US$ 500 milhões (R$ 2,65 bilhões) de desenvolvimento de luxo no local do antigo quartel do exército iugoslavo, na capital sérvia Belgrado — que incluiria um hotel com a marca Trump e três torres de luxo em parceria com o bilionário de Dubai, Mohamed Alabbar,— sofreu um revés em maio. O local foi bombardeado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1999 e suas ruínas foram designadas patrimônio cultural. No entanto,, promotores locais anunciaram que um funcionário cultural falsificou um documento, o que permitiu ao governo.
“Você poderia ter um hotel bonito, gerando empregos e pagando impostos, versus um prédio bombardeado que é um problema visual”, diz Kushner, confiante de que o projeto ainda sairá do papel. “Ainda temos um ótimo projeto e continuamos planejando e trabalhando para torná-lo realidade.” renunciar ao status de patrimônio.
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