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Em apenas algumas horas, Donald Trump fez duas declarações contraditórias sobre o futuro do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell.
Primeiro, disse a parlamentares republicanos na noite de terça-feira (15), durante uma reunião no Salão Oval, que pretende demitir o chefe do banco central americano. Pouco depois, negou qualquer plano nesse sentido. “Não estamos planejando isso”, disse Trump nesta quarta-feira (16), na Casa Branca. “É altamente improvável.”
A confusão alimenta especulações — e tensões — sobre a interferência política na autoridade monetária dos EUA. A ameaça não pegou bem em Wall Street e os mercados oscilaram, reagindo de forma negativa às falas contraditórias.
Descontentamento com os juros
O principal ponto de atrito entre os dois é a postura de Powell em relação à taxa de juros. Segundo o presidente do Fed, os cortes previstos podem levar mais tempo, diante do estrago causado pela política comercial de Trump. Já o chefe da Casa Branca quer juros mais baixos para estimular a economia.
Uma política monetária mais acomodatícia antes de controlar a inflação pode resultar em uma alta dos preços ainda maior — prejudicando o crescimento econômico e desencadeando uma nova crise. Powell também não mediu palavras para negar que a guerra comercial pode ter um efeito negativo sobre a economia norte-americana e, eventualmente, adiar o ciclo de cortes de juros no país.
Essa não é a primeira vez que a ameaça de demissão surge. Trump tem tentado entrar em atrito com Powell desde o início de seu mandado. As ameaças cresceram ao longo de abril e parecem ter atingido o seu clímax nos últimos dias.
Demitir Powell é tão fácil assim?
Do ponto de vista jurídico, demitir o presidente do FED é legal, mas dificilmente seria acatado pela justiça americana. A lei da autarquia monetária dos EUA prevê que a demissão só pode acontecer caso exista má conduta grave ou outras violações.
No entanto, a legislação não deixa claro se a iniciativa pode partir do presidente do país. Sem contar que não há precedente legal direto nos Estados Unidos.
A falta de precedente, no entanto, não parece assustar Trump. Algumas das medidas tomadas pelo seu governo — desde políticas para revogar vistos, encerrar o direito de cidadania para todos os nascidos no país e até mesmo as tarifas comerciais desproporcionais aplicadas a diversos países (incluindo o brasil) — também, em teoria, não poderiam ser tomadas de forma monocrática pelo presidente americano.
Se a demissão se confirmar, resta saber até que ponto o Congresso irá permitir a interferência em uma das principais instituições do mundo.
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